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COP 22 começa em Marrakesh para conter aquecimento global

COP 22 buscará concretizar compromissos assumidos por países para frear as mudanças climáticas

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postado em 07/11/2016 10:28 / atualizado em 07/11/2016 13:49


Marrakech, Marrocos - A conferência anual da ONU sobre o clima (COP22) começou nesta segunda-feira em Marrakesh com a missão de colocar em prática o histórico acordo de Paris, que tem o ambicioso objetivo de frear o aquecimento global. Muitos dos 15.000 participantes da COP22, que reúne políticos, cientistas, ONGs e empresas de todo o mundo, também terão os olhares voltados para os Estados Unidos, onde na terça-feira serão realizadas as eleições presidenciais.

A segunda semana da conferência, que termina no dia 18 de novembro, também contará com a presença de 60 chefes de Estado e de governo. "Marrakesh, é o momento de fazer a ação climática avançar", afirmou a secretária para o clima na ONU, Patricia Espinosa, na sessão de abertura, convidando os países a acelerar o "ritmo e a extensão" das medidas. "Faço um chamamento aos países que ainda não ratificaram (o acordo), que o façam antes do final do ano", declarou Segolene Royal, ministra francesa do Meio Ambiente e presidente da COP21, antes de passar o bastão ao ministro marroquino de Relações Exteriores, Salahedín Mezuar.

O novo presidente da COP22 pediu para o mundo "manter o espírito" de Paris e "a mobilização sem precedentes" que acompanha o pacto adotado em dezembro de 2015. "Esperamos ter uma relação muito construtiva e positiva" com o próximo presidente dos Estados Unidos, disse Espinosa à imprensa. O candidato republicano, Donald Trump, que enfrenta a democrata Hillary Clinton, já disse que se oporá ao acordo se for eleito. Os Estados Unidos, o segundo emissor mundial de gases de efeito estufa, que provocam o aumento da temperatura, "são um de nossos sócios mais importantes, razão pela qual sua participação no acordo é crucial", acrescentou Espinosa.

"Agora o acordo de Paris já entrou em vigor (na última sexta-feira) e todos estamos obrigados por este compromisso", indicou. O acordo de Paris foi assinado por 192 países e ratificado por 100 deles, que representam 70% das emissões mundiais. O texto é agora "o mapa do caminho do combate contra as mudanças climáticas", lembrou Manuel Pulgar-Vidal, o ministro peruano que presidiu a COP20 e que atualmente é responsável da WWF.

Na COP22 de Marrakesh, os negociadores precisarão entrar em acordo sobre uma série de processos que tornem possível colocar em prática o acordo de Paris. Trata-se, segundo a negociadora francesa Laurence Tubiana, de "terminar as regras" do texto, cujo objetivo principal é que o aquecimento global não supere +2°C, mas que também inclui compromissos em nível nacional.

Questões delicadas
Muitas questões ainda devem ser resolvidas, como a forma de verificar o nível de gases de efeito estufa em cada país ou o financiamento das políticas climáticas dos países do sul. Também estará na pauta como "compensar" os países pobres mais afetados pelas mudanças climáticas, que sofrem com secas, inundações e outros fenômenos extremos. O objetivo atual é chegar a um acordo sobre estas questões em 2018.

"A COP22 será realmente uma COP para aplicar e agir", disse à imprensa o negociador americano Jonathan Pershing. Os países também estão convidados a definir um objetivo nacional de redução de emissões, geradas principalmente pela combustão de petróleo, gás e carvão. Os objetivos atuais evitarão um aumento da temperatura de 4/5°C, catastrófico para o planeta, mas ainda estão próximos demais dos 3°C, com consequências também graves. "A grande batalha dos próximos dois anos será a maneira de convencer os países a intensificarem suas ambições", disse Tubiana.

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O acordo de Paris aspira a limitar o aquecimento global a menos de 2°C em relação ao nível anterior à revolução industrial, um desafio enorme. Alguns sinais são alentadores e demonstram que uma mudança de modelo está em curso. Neste sentido, 2015 foi um ano recorde para os investimentos em energias renováveis, principalmente nos países emergentes. Mas paralelamente, os cientistas continuam lançando mensagens de preocupação. Após dois anos recordistas, 2016 voltou a ser o ano mais quente já registrado na Terra, e as concentrações de gases de efeito estufa não param de aumentar.

Por Agência France Presse

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