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Segunda infecção por Aedes aegypt pode agravar o quadro clínico

Pesquisa mostra que paciente pode desencadear manifestações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré

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postado em 15/11/2016 07:05 / atualizado em 14/11/2016 23:37

Paloma Oliveto

Isadora Siqueira/Divulgação

 

Em maio do ano passado, a infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia Isadora Siqueira começou a receber pacientes em dois hospitais de Salvador com estranhas manifestações neurológicas. Até agosto, ela atenderia 21 pessoas que, além de sintomas como movimento anormal dos olhos e descoordenação motora, tinham em comum a suspeita de terem sido alvo de alguma doença transmitida pelo Aedes aegypt. Naqueles quatro meses, a cidade registrou um surto tríplice de dengue, zika e chicungunha. A cientista desconfiou que havia uma relação entre essas ocorrências. Ela estava certa.

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Amanhã, no congresso anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, Isadora Siqueira vai apresentar um trabalho que sugere que as manifestações neurológicas podem estar relacionadas a uma infecção prévia. Uma pessoa que já teve dengue e que, depois, é infectada por zika ou chicungunha — ou mesmo é coinfectada — estaria mais sujeita a desenvolver problemas neurológicos, como síndrome de Guillain-Barré. Além dessa enfermidade, o grupo de pesquisadores de Salvador, coordenados pela infectologista, detectou duas doenças raríssimas, também associadas aos arbovírus: a síndrome de opsoclonus-mioclonus (OMS) e a encefalomielite disseminada aguda (Adem).


Isadora Siqueira conta que 13 dos 21 pacientes atendidos durante o surto tríplice na Bahia apresentaram sintomas de Guillain-Barré, três tiveram encefalite, dois mielite, dois OMS e um Adem. O quadro que ela considera mais interessante, e que será tema de um estudo de caso a ser publicado, é o de um paciente de opsoclonus-mioclonus, doença que provoca movimentação anormal dos olhos. Ele não só teve dengue e chicungunha, como foi infectado pelos dois vírus ao mesmo tempo.

Os exames sorológicos mostraram que apenas seis pessoas com sintomas neurológicos não apresentavam anticorpos para os três arbovírus. A cientista, porém, não descarta que elas também tenham sido infectadas. “Os métodos de detecção que existem ainda não são os melhores possíveis. O fato de os exames não terem dado positivo não quer dizer muito”, afirma.

Epidemia
Isadora destaca o caráter atípico da epidemia do ano passado. “Naquele momento (entre maio e agosto), estava tendo muitos casos das três doenças. Mas não era uma epidemia de zika, não era uma de dengue e uma de chicungunha. Era uma epidemia concomitante, de zika, dengue e chicungunha”, lembra. “Os três vírus estavam circulando ao mesmo tempo; algumas pessoas tiveram duas ou três infecções no mesmo período”, diz.

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