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Cientistas criam cápsula de longa duração para tratar doenças crônicas

Depois de ingerida, cápsula criada por cientistas dos EUA libera medicação no organismo de cobaias por 14 dias. A intenção é usar o dispositivo em humanos para tratar doenças diversas, da malária ao Alzheimer

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postado em 18/11/2016 10:05

A adesão dos pacientes é um dos principais problemas no tratamento de doenças crônicas. Estima-se que apenas metade das pessoas que precisa tomar medicamentos todos os dias o faça na frequência correta. Para contornar esse obstáculo, pesquisadores do Hospital Brigham and Women de Boston e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos, desenvolveram uma cápsula de longa duração que, no futuro, permitirá a liberação da droga ao longo de uma semana, um mês ou até por um prazo maior. Os testes iniciais foram para tratar a malária.

O experimento, com porcos, foi descrito na edição desta semana da revista Science Translational Medicine. A ideia é que o modelo possa servir para diversos medicamentos, mas, no teste, os pesquisadores investiram na ivermectina, droga utilizada para combater infecções parasitárias, além de ser indicada para o tratamento de malária em locais em que a enfermidade é endêmica, como a Região Norte brasileira e a África Subsaariana.

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Os pesquisadores descobriram que, em modelos animais grandes, a cápsula permanece em segurança no estômago, liberando a droga por até 14 dias, surgindo, assim, como uma potencial forma de combater a malária e outras doenças infecciosas com disseminação preocupante. Só a malária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ameaça metade da população mundial, o equivalente a 3,2 bilhões de pessoas.

“Nós queremos tornar o mais fácil possível para as pessoas tomarem seus medicamentos. Quando os pacientes têm de lembrar de tomar uma droga todos os dias ou várias vezes ao dia, começamos a ver menos adesão ao regime. Ser capaz de engolir uma cápsula uma vez por semana ou por mês pode mudar a forma como pensamos sobre a ingestão de medicamentos”, diz Giovani Traverso, um dos autores e gastroenterologista da Faculdade de Medicina de Harvard e do Hospital Brigham and Women de Boston.

Pequena
“Além de melhorar a adesão, nosso sistema de longa ação pode reduzir os efeitos adversos e melhorar a eficácia da droga”, complementa Andrew Bellinger, primeiro autor do trabalho e cardiologista do Hospital Brigham and Women de Boston. Ele conta que a cápsula é do tamanho de um comprimido de óleo de peixe quando engolida. Uma vez dentro do estômago, ela, como um origami, se desdobra, assumindo a forma de uma estrela. Dessa forma, fica presa no piloro (constrição musculosa no fim do estômago), ao mesmo tempo em que permite a passagem de alimentos. Em duas semanas, o material da cápsula se desfaz, ela se rompe e viaja pelo trato digestivo para ser eliminada.

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