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Grande Barreira, na Austrália, sofre a maior morte de corais este ano

De acordo com análises aéreas e subaquáticas realizadas, este ano, pelo Centro de Excelência para os Estudos de Recifes de Coral da Universidade James Cook, dois terços dos corais morreram, nos últimos oito ou nove meses, em uma área de 700 quilômetros

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postado em 30/11/2016 08:21 / atualizado em 30/11/2016 08:25

WWF Australia
 
A Grande Barreira de Corais, um dos símbolos da Austrália, teve, este ano, a pior perda já observada desses animais. A causa foi o branqueamento provocado pela elevação da temperatura da água entre os meses de março e abril. Ao noticiar o novo recorde, cientistas destacaram a preocupação com o futuro desse delicado sistema que, com 2.300 quilômetros de extensão, é o maior do mundo.

De acordo com análises aéreas e subaquáticas realizadas, este ano, pelo Centro de Excelência para os Estudos de Recifes de Coral da Universidade James Cook, dois terços dos corais morreram, nos últimos oito ou nove meses, em uma área de 700 quilômetros na zona norte da Grande Barreira, a mais inacessível. “A maioria das perdas de 2016 ocorreu na parte mais intacta da Grande Barreira”, disse Terry Hugues, diretor do centro. “Essa região só tinha sofrido danos menores nos dois episódios anteriores de branqueamento, em 1998 e em 2000, mas, desta vez, a área foi duramente afetada”, complementou.
 
Mais ao sul, nas zonas central e meridional, incluindo as áreas turísticas de Cairns e das ilhas Whitsunday, os danos foram bem menores, já que os corais não estiveram tão expostos ao calor. O branqueamento é provocado por condições anormais, como o aumento da temperatura da água. Em situações de estresse, eles expulsam as algas responsáveis por lhes dar cor e nutrientes. Os recifes podem se recuperar se a água esfriar, mas o seu fim é inevitável quando o fenômeno persiste.  

"Esse é o preço devastador que pagamos quando o governo australiano mantém a duras penas a indústria do carvão", lamentou Shani Tager, da ONG Greenpeace Austrália.

Também ontem, defensores do meio ambiente voltaram a exigir o fim da exploração das minas de carvão, ligadas ao lançamento de gases que provocam o aquecimento global.

Pressão 
O governo australiano assegura que nunca fez tantos esforços para proteger a Grande Barreira, que também sofre as consequências dos resíduos agrícolas e da proliferação de estrelas-do-mar, que destroem os corais. A Austrália se comprometeu a gastar cerca de US$ 1,5 bilhão em um prazo de 10 anos para combater o problema. Em 2015, a Unesco esteve a ponto de incluir a Grande Barreira na lista de patrimônios em perigo e, antes de 1º de dezembro, o país deverá entregar à instituição um relatório explicando seus esforços para proteger os corais.

Os pesquisadores consideram que serão necessários entre 10 e 15 anos para que a parte norte recupere seus corais, mas temem que, nesse período, ocorra um quarto episódio de branqueamento massivo. Se os níveis de gases de efeito estufa continuarem subindo, esses episódios vão ocorrer a cada dois anos até meados de 2030, alertou o Centro de Excelência para os Estudos de Recifes de Coral da Universidade James Cook. Considerando o tempo que os corais necessitam para se recuperar, “é possível que percamos extensas zonas da Grande Barreira em apenas 20 anos”.

“A boa notícia é que os dois terços meridionais do recife só sofreram danos menores”, disse Andrew Baird, que realizou as pesquisas subaquáticas nos meses de outubro e novembro que ajudaram na compilação dos dados divulgados ontem. “Em média, 6% dos corais branqueados da região central morreram em 2016, e apenas 1%, no sul. Por enquanto, os turistas não perceberão o branqueamento porque as zonas mais acessíveis foram as menos afetadas”, detalhou.

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