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DNA 'compatível' pode ajudar a produzir bebês de três pais mais sadios

Cada célula no corpo humano contém cerca de 23.000 genes, quase todos eles no núcleo - o chamado DNA nuclear.

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postado em 30/11/2016 18:43

Combinar melhor o DNA de uma doadora de óvulos com o de uma futura mãe que o receberá pode reduzir o risco de transferir mutações causadoras de doenças nos chamados bebês com três pais, sugeriu um estudo na quarta-feira.

Embora mais pesquisas sejam necessárias, o estudo traz avanços para a área de rápido crescimento da fertilização in vitro para mulheres com o DNA mitocondrial (mtDNA, o tipo herdado exclusivamente da mãe) danificado.

Deve-se selecionar uma doadora de óvulos - o "terceiro pai", juntamente com o casal que vai conceber, dar à luz e criar um bebê - cujo mtDNA seja geneticamente parecido com o da mãe receptora, afirmaram os autores no estudo publicado na revista científica Nature.

Cada célula no corpo humano contém cerca de 23.000 genes, quase todos eles no núcleo - o chamado DNA nuclear.  Mas 37 genes residem em minúsculas estruturas chamadas mitocôndrias, que são as baterias das células, transformando açúcar e oxigênio em energia.

O DNA nuclear é transferido para os descendentes pelo pai e pela mãe, enquanto o DNA mitocondrial é herdado apenas da mãe.  Algumas mulheres têm o mtDNA danificado, e se este for transferido para os filhos, pode causar uma série de doenças debilitantes e intratáveis.

Mulheres com mutações mitocondriais podem ter filhos saudáveis %u200B%u200Batravés da fertilização in vitro, usando uma técnica chamada terapia de reposição mitocondrial.  O DNA nuclear é retirado do seu próprio óvulo e colocado junto com o esperma do pai em um óvulo diferente, cujo núcleo foi removido, de uma doadora com a mitocôndria saudável, que é deixada intacta.

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No entanto, em experimentos de laboratório às vezes as células cultivadas usando esse método revertem para o mtDNA defeituoso da mãe - cujos vestígios podem ter sido transferidos com seu DNA nuclear.

O novo estudo analisou maneiras de prevenir isso, e descobriu que era menos provável que o procedimento desse errado quando o DNA mitocondrial da doadora do óvulo fosse "compatível" com o da mãe.

O DNA mitocondrial pode ser dividido em grupos conhecidos como haplótipos, cada um com um antepassado genético comum.  "Esta pesquisa sugere que vamos ter maiores taxas de sucesso na produção de embriões livres de doenças causadoras de mutações genéticas se nos certificarmos de que estamos usando a combinação certa de haplótipos", disse o autor sênior do estudo Shoukhrat Mitalipov.

Mais pesquisas são necessárias para desenvolver uma técnica de combinação de DNA antes de que se possa iniciar os ensaios clínicos.  Os ensaios não podem ser feitos nos Estados Unidos, de onde são a maioria dos autores do estudo, devido a uma proibição da terapia de reposição mitocondrial.

O primeiro bebê criado usando a substituição mitocondrial nasceu no México no início deste ano.  Ele nasceu a partir da mesma técnica de "transferência de fuso" utilizada no último estudo, que ao contrário do método de "transferência pronuclear" não implica a destruição de um embrião.

Até agora, apenas a Grã-Bretanha autorizou os "bebês de três pais" para mulheres com mitocôndrias causadoras de doenças.

Por France Presse

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