Estudo de tremores submarinos ajudará a prever no erupções no oceano

Cientistas observaram pequenos terremotos próximos ao vulcão Axial, na costa oeste americana, e o momento em que ele eclodiu em 24 de abril de 2015. O resultado inédito poderá ajudar a prever a ocorrência do fenômeno em oceanos

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postado em 17/12/2016 10:00

Universidade de Washington/OOI-NSF/CSSF-ROPOS


Apesar dos grandes vulcões terrestres serem os mais conhecidos — como o Etna e o Vesúvio, ambos na Itália —, cerca de 80% da atividade vulcânica do planeta acontece no fundo dos oceanos. Essas erupções submarinas são especialmente complicadas de se estudar principalmente pelo difícil acesso ao local e pela delicada recuperação de equipamentos usados no trabalho investigativo. Um estudo publicado nesta semana, na revista Science, porém, descreve em detalhes nunca antes observados o comportamento do vulcão submarino Axial, localizado na costa oeste dos Estados Unidos.

Graças a um conjunto de equipamentos instalados em 2014, pesquisadores puderam observar em detalhes a atividade sísmica antes e durante a erupção do Axial, em tempo real. O evento ocorreu em 24 de abril de 2015, poucos meses após a instalação do equipamento, e serviu como teste para um modelo usado na previsão de erupções desenvolvido pela mesma equipe de cientistas em 2011.

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A próxima erupção do Axial era esperada inicialmente para 2018, mas mudanças na velocidade de deformação do fundo do mar detectadas pelos novos sensores fizeram os cientistas prevê-la corretamente para este ano. As informações coletadas mostraram um aumento no número de pequenos terremotos no local de 500 para 2 mil por dia nos meses anteriores à erupção. Além disso, os estudos confirmaram que a deformação da estrutura pode ser utilizada para prever erupções em vulcões por todo o mundo, tanto abaixo quanto acima da superfície do mar.

O estudo só foi possível graças ao chamado Cabled Array, uma rede de cabos submarinos que fornece energia e internet para equipamentos científicos, administrada pela Iniciativa dos Observatórios Oceânicos (OOI). Sem o constante fluxo de eletricidade, os pesquisadores não conseguiriam observar a erupção em tempo real. “É muito desafiador monitorar a atividade física e deformação de um vulcão submarino, especialmente levando em conta que os ciclos de erupção duram décadas”, relata ao Correio William Wilcock, professor de oceanografia da Universidade de Washington (EUA) e principal autor do estudo.

Wilcock explica que, se usassem equipamentos alimentados por baterias, eles teriam de ir ao vulcão todo ano para recuperar os dados e trocar os sensores. Os cientistas só conseguem utilizar esse método por um período entre três e quatro anos contínuos. Além disso, os dados não poderiam ser analisados até que os equipamentos fossem retirados do fundo do mar. Se houvesse uma erupção durante esse período, por exemplo, os pesquisadores demorariam até um ano para descobrir. “Os equipamentos no Axial foram difíceis e caros de instalar. Porém, uma vez no local, eles duram até 25 anos”, compara o cientista.

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