Pesquisa mostra por que se erra tanto na escolha dos presentes de Natal

Há um desencontro de intenções, dizem cientistas dos EUA: quem compra quer surpreender na hora da abertura do embrulho e quem ganha espera algo que tenha utilidade

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postado em 21/12/2016 06:00 / atualizado em 21/12/2016 08:15

Arte/CB/DA Press
 

Dar e receber presentes pode não ser o objetivo das celebrações natalinas, mas ninguém nega que esse é um dos rituais mais divertidos das festas de fim de ano. Muitas vezes, porém, a troca de pacotes não sai como o esperado, uma situação constrangedora que termina com decepções e sorrisos amarelos. Foi o que aconteceu há alguns anos com a psicóloga Elanor Williams, pesquisadora de comportamento do consumo da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Sabendo que ela gosta de cozinhar, os pais da especialista chegaram para a ceia com um enorme bloco de sal do Himalaia. A peça acabou sendo trocada por uma chaleira que, apesar de não ter nada de original, é usada por Williams todos os dias.

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Esse tipo de experiência, muito comum mesmo entre pessoas que se conhecem bem, levou a psicóloga a investigar por que se erra tanto na hora de presentear. Em um artigo publicado na revista Current directions in psychological science, ela elucida o que está por trás das discrepâncias entre as expectativas de quem dá e de quem recebe o presente. De acordo com Williams, ao menos em parte, isso pode ser explicado pelo fato de que, ao comprar o objeto, geralmente as pessoas se focam no momento da entrega do presente. Por outro lado, quem recebe está mais interessado na utilidade que a lembrança terá no dia a dia do que em ser surpreendido por algo que, no fim, pode se transformar em um elefante branco.


“Com base nos erros que identificamos, listamos algumas coisas que podem servir de referência para aqueles que estão interessados em dar os presentes certos”, conta a psicóloga. “Percebemos que o maior erro que as pessoas cometem é que acabam pensando não no presente em si e em como ele pode ser útil a quem o recebe. Em vez disso, focam no momento da troca do presente e acabam neglicenciando as preferências de quem será presenteado. Por mais incrível que pareça, quem dá o presente pensa mais em si do que no presenteado”, diz.

 

Coautor do estudo, Jeff Galak, professor da Universidade de Carnegie Mellon (EUA), conta que, ao revisar a literatura sobre esse assunto, a importância que o doador da lembrança confere à hora em que o receptor abrirá o pacote é um denominador comum. “Estudamos muitos trabalhos a respeito e esse elemento aparece em todos eles. O que a pessoa que dá o presente quer é aquele ‘Uau!’, aquela reação imediata de quem vai recebê-lo. Por outro lado, o presenteado se preocupa mais com o valor daquele objeto ao longo do tempo”, explica. “O que estamos vendo é um descompasso entre as motivações de um e de outro. Colocando de outra forma, às vezes um aspirador de pó, algo que pouca gente se empolgaria de ver dentro de um pacote no dia do Natal, seja justamente aquilo que a pessoa vai gostar de ter ao longo do ano.”

 

Além da etiqueta

Os pesquisadores listaram alguns dos erros mais comuns na troca de presentes. Entre eles, está a crença de que a lembrança tem de ser algo físico, como um iPad ou uma roupa. Contudo, os autores destacam que, muitas vezes, uma experiência pode valer muito mais que o objeto (leia mais abaixo). Ingressos para um show ou um vale massagem, por exemplo, podem ser mais apreciados por quem vai recebê-los. “Receber uma experiência de alguém reforça a conexão emocional entre as pessoas”, diz Jeff Galak. Para isso, porém, ele e Elanor Williams salientam que presenteador e presenteado devem se conhecer bem. 

 

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