Mesmo com dieta, 19% das crianças sofrem com intolerância ao glúten

Estudo norte-americano mostra que uma em cada cinco crianças com intolerância à proteína continuam sofrendo as consequências dos danos intestinais mesmo seguindo uma dieta restritiva

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postado em 02/01/2017 06:00 / atualizado em 02/01/2017 06:20

Nas últimas décadas, o mundo declarou guerra ao glúten. Essa proteína encontrada em cereais transformou-se em vilã e foi cortada do cardápio de muita gente, que afirma ter se beneficiado do banimento. Entre elas estão as pessoas que sofrem de doença celíaca, uma intolerância grave à substância. Contudo, surpreendentemente, uma equipe de pesquisadores do Hospital Pediátrico Geral de Boston, nos Estados Unidos, constatou que quase uma em cada cinco crianças com essa condição continua com problemas intestinais ainda que passe a ingerir uma alimentação completamente livre de glúten.

A descoberta é consistente com pesquisas recentes em adultos, segundo as quais mais de 33% dos pacientes que aderiram a uma dieta sem a proteína persistiram com os danos no intestino, apesar da redução dos sintomas ou dos resultados de exames de sangue. “Isso confirma que precisamos nos concentrar mais agressivamente na cura desses pacientes”, diz Maureen Leonard, diretor clínico do Centro de Pesquisa e Tratamento Celíaco da instituição e coautor do estudo, publicado na revista Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition.

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De acordo com ela, os resultados já estão ajudando a revisar práticas médicas no hospital em que trabalha, onde a maior parte dos pacientes com mais de 10 anos passará por endoscopias um ano após o tratamento com dieta livre de glúten para avaliar se a mucosa intestinal está, de fato, recomposta.  Atualmente, as diretrizes para doença celíaca recomendam uma biópsia simples na época do diagnóstico, seguida por testes de sangue para monitorar a recuperação do intestino.

Ivor Hill, pesquisador da Universidade de Ohio, também nos EUA, acredita que é preciso revisar os tratamentos atuais, além de se levantar questões a respeito da prevalência dos danos intestinais em crianças com doença celíaca e a melhor forma de lidar com esse problema. “Até termos meios não invasivos confiáveis para determinar a cura da mucosa em crianças com doença celíaca, parece que a biópsia continuará importante tanto para o diagnóstico inicial quanto para monitoramento subsequente”, afirma Hill, que não participou do estudo.

Embora não se conheçam os riscos associados aos danos à mucosa intestinal permanentes em crianças, em adultos as alterações na mucosa aumentam o risco de linfoma (um tipo de câncer), baixa densidade óssea e fratura. Os autores do estudo também observaram, no artigo, que “a má absorção e a inflamação em crianças pode ter repercussões negativas no desenvolvimento físico e cognitivo.”

Alessio Fasano, diretor do Hospital Pediátrico Geral de Boston e coautor sênior do trabalho, também foi surpreendido pelos resultados, baseados na avaliação da biópsia e dos prontuários de 103 crianças com doença celíaca tratadas na instituição. Elas foram incluídas em um regime alimentar livre de glúten por pelo menos um ano e, de acordo com os médicos que as atenderam, apresentaram alívio nos sintomas depois disso. Contudo, biópsias repetidas encontraram dano intestinal persistente em 19% dos pequenos pacientes. “O número de crianças que não se curou foi muito maior do que eu esperava”, admite o médico.

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