Cientistas identificam genes que deixam mulheres mais suscetíveis a TPM

A descoberta poderá inspirar novas terapias

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postado em 04/01/2017 10:00 / atualizado em 04/01/2017 07:29

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press


Uma vez por mês, a vendedora Ranierica Assunção, 31 anos, passa por uma metamorfose. Normalmente tranquila e bem-humorada, ela se torna irritadiça, com a sensibilidade à flor da pele. “Eu fico louca, é muito estresse. Tenho raiva até de mim, de verdade. Sofro demais com isso, choro por qualquer coisa”, diz. O marido, a irmã e os amigos já sabem o que vem pela frente quando Ranierica dá os primeiros sinais de alteração. “Às vezes eu não associo, aí minha irmã fala: Ah, está na TPM!” Assim que a menstruação vem, ela se liberta dos sintomas. “Fico tranquila de novo.”

O sofrimento enfrentado por Ranierica é um velho conhecido de muitas mulheres, que podem passar toda a idade reprodutiva sentindo um ou vários sintomas físicos e mentais da síndrome pré-menstrual, popularmente conhecida como tensão pré-menstrual (TPM). Algumas experimentam sensações mais severas, que podem comprometer gravemente a qualidade de vida, interferindo, por exemplo, nos relacionamentos e nas atividades profissionais. O chamado transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) foi incluído recentemente no Manual estatístico e diagnóstico de distúrbios mentais (DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, e, assim como a forma mais branda do problema, ainda não foi completamente desvendado.

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Agora, pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde (NIHs) dos Estados Unidos anunciaram a descoberta de mecanismos moleculares que podem estar por trás da suscetibilidade de algumas mulheres à irritabilidade, à tristeza e à ansiedade comuns à TPM e ao TDPM. Em um artigo publicado na revista Molecular Psychiatry, eles descrevem uma rede de genes que, em pacientes da síndrome e do transtorno, estão desregulados. “Isso nos dá a esperança de melhorar os tratamentos para distúrbios de humor associados ao sistema endócrino e reprodutivo”, afirma Peter Schmidt, pesquisador do Departamento de Endocrinologia Comportamental do Instituto Nacional de Saúde Mental do NIH, que conduziu o trabalho.

Schmidt fez parte da equipe de cientistas que, no fim da década de 1990, demonstrou diretamente, pela primeira vez, que os hormônios sexuais femininos estão fortemente associados aos sintomas da TPM. Embora isso fosse quase uma certeza da medicina, até então ninguém havia provado a relação. No experimento de duas décadas atrás, mulheres com e sem histórico de síndrome pré-menstrual receberam um medicamento que suprimia os hormônios sexuais. Uma ou duas semanas depois que essas substâncias foram reintroduzidas, aquelas que costumavam sofrer os efeitos da TPM tiveram as mesmas sensações: mudança de humor, vontade incontrolável de ingerir alguns alimentos, dores físicas pelo corpo etc. Já as do grupo de controle não tiveram alterações.

De acordo com Schmidt, ao mesmo tempo em que provou que a TPM e o TDPM estão relacionadas às mudanças nos níveis dos hormônios sexuais, o estudo mostrou que não é apenas isso que conta, já que algumas participantes não sentiram nada, mesmo com a supressão e a posterior reintrodução dessas substâncias. “Embora os hormônios sexuais femininos precisem estar presentes para desencadear os sintomas da TPM, eles, sozinhos, não são a causa do distúrbio”, explica o pesquisador.



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