Cérebro não para de crescer e pode ter funções alteradas, diz estudo

Descoberta inédita, feita por pesquisadores dos EUA, é detalhada em duas revistas científicas

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postado em 06/01/2017 06:00 / atualizado em 06/01/2017 09:21

Brianna Jeska/Divulgação


Os bebês nascem com cérebros repletos de conexões neurais. Mas, no início da primeira infância, elas começam a diminuir, até que a estrutura do órgão se torna relativamente estável. Isso é o que se pensava. Agora, dois estudos publicados nas revistas Science e Cerebral Cortex sugerem que o processo é mais complicado do que o imaginado. Pela primeira vez, cientistas descobriram que tecidos microscópicos continuam crescendo em regiões que também parecem ter modificada a função com o tempo. O trabalho desafia uma crença central na neurociência: a de que a quantidade de tecido cerebral segue uma única direção ao longo da vida, passando de excessiva para suficiente.

Os pesquisadores fizeram a descoberta ao avaliar os cérebros de participantes geralmente pouco explorados em estudos: crianças. “Eu diria que, há apenas 10 anos, os psicólogos começaram a investigar o cérebro infantil”, afirma Kalanit Grill-Spector, professora da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e principal autora dos dois artigos. “A questão é: crianças não são adultos em miniatura, e seus cérebros mostram isso. Nosso laboratório estuda crianças porque ainda há muito conhecimento básico a ser adquirido sobre o cérebro em desenvolvimento nessa faixa etária”, explica.

A equipe de Grill-Spector examinou uma região do órgão que distingue faces de outros objetos. Na revista Cerebral Cortex, os cientistas demostraram que regiões cerebrais que reconhecem o rosto têm uma formação celular única. Já na Science, eles detalharam como estruturas microscópicas dentro dessa região mudam da infância para a idade adulta em uma escala de tempo que reflete as melhorias na habilidade que as pessoas têm de reconhecer um rosto. “Na verdade, nós vimos que o tecido está proliferando”, diz Jesse Gomes, estudante de graduação e autor do artigo da Science. “Muitas pessoas assumem uma visão pessimista do tecido cerebral: que ele se perde lentamente à medida que você envelhece. Nós vimos o oposto — que seja lá o que foi podado na infância pode voltar a crescer.”

O grupo estudou regiões do cérebro que reconhecem faces e lugares porque saber para quem você olha e onde você está são funções importantes no dia a dia. Em adultos, essas partes do órgão são vizinhas próximas, mas com algumas diferenças estruturais visíveis. “Se você pudesse passear pelo cérebro de um adulto e olhasse para essas células, seria como dar uma caminhada por vizinhanças diferentes. Elas estão organizadas de forma distinta”, afirma Gomes.

 

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