Pesquisadores brasileiros usam lixo e algas nocivas para produzir energia

Além de reduzir a emissão de gases do efeito estufa, o biogás é uma alternativa ecologicamente correta para a destinação dos resíduos orgânicos

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postado em 09/01/2017 09:58 / atualizado em 09/01/2017 17:57

Nailana Thiely/Divulgação


Pesquisadores brasileiros estão a um passo de testar um novo modelo de biodigestor, mais barato e eficiente. O estudo foi realizado por três pesquisadores da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e mostrou que o potencial de transformação de dejetos em energia limpa vai além do lixo produzido pelas pessoas. 

 

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) estima que o Brasil produza diariamente 260 toneladas de lixo, sendo que 52% desse total são resíduos orgânicos. Se utilizada para alimentar biodigestores – estruturas que captam os gases produzidos na decomposição – a energia gerada poderia abastecer aproximadamente sete mil residências. 

 

Todo lixo orgânico pode produzir gás natural durante a composição. Já a captação deste tipo de energia é que pode ser complexa como uma planta biodigestora anaeróbia, com funcionamento parecido com a de uma termoelétrica, ou simples como um pequeno biodigestor caseiro, alimentado e manejado por qualquer pessoa. “O metano pode ser utilizado para a produção de energia elétrica, para queima em fogões, também é uma alternativa de combustível para motores de combustão interna e, quando produzido em grande escala é possível comercializar o metano que não foi lançado para a atmosfera no mercado de crédito de carbono” enumera o engenheiro ambiental Gabriel Holanda, um dos cientistas envolvidos na pesquisa.

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Essa última opção é a porta de entrada para a pesquisa dos brasileiros. Já que esta energia elétrica pode ser conectada à rede da concessionária, trazendo ganhos como diminuição do custo com energia elétrica ao consumidor. “O modelo de biodigestor utilizado na pesquisa é o caseiro e foi construído com materiais de baixo custo, diferente do indiano e do chinês onde demandam investimentos mais onerosos”, explica Holanda.

 

Nailana Thiely/Divulgação

Segundo os engenheiros, é possível construir um biodigestor caseiro de 200 litros com menos de R$ 150,00. “E a construção pode ser feita em menos de uma hora se todos os materiais estiverem à disposição”, conta. No entanto, deve-se observar qual a finalidade do biodigestor que pode ser: para tratamento de efluente doméstico, produção de energia ou utilizar o biofertilizante para cultivos agrícolas. “Dependendo da demanda o tamanho biodigestor pode diminuir ou aumentar [o custo]”. 

Energia limpa

 

 

Países como a China e a Índia são pioneiros no uso desse tipo de energia e lideram as pesquisas e aplicação da coleta e uso do biogás. No Brasil, essa tecnologia ainda é pouco utilizada, mas existem alguns testes sendo feitos no Sul e Sudeste. “Existem fazendas em que a produção do biogás foi tão significativa na conversão de energia elétrica que o excedente foi vendido para as concessionárias locais”, conta Holanda. A Embrapa Suínos e Aves também realizou alguns trabalhos que comprovaram a viabilidade desses biodigestores na geração de energia e, de quebra, com aproveitamento da conversão do biogás em crédito de carbono.

 
As pesquisas realizadas no Centro de Ciências Naturais e Tecnologia (CCNT) da UEPA mostraram ainda outro dado interessante. Com ajuda da literatura especializada e de testes, os cientistas descobriram que tanto o biogás produzido a partir de resíduo animal quanto o  vegetal possuem a mesma qualidade, ou seja, a concentração de metano varia entre 50% e 70%. “Existiam diferenças na produção da quantidade de biogás, pois quando a biomassa é de origem animal a produção de biogás é ligeiramente maior. No entanto, quando há um tratamento da biomassa de origem vegetal como trituração, esta diferença basicamente deixa de existir”, explica o professor doutor em Engenharia de Recursos Naturais, Marcelo Raiol.


Agora os brasileiros pretendem realizar um levantamento do potencial energético das principais espécies de algas maléficas ao meio ambiente e modelar o crescimento dessa fauna. Assim, será possível aproveitar dados para criar um biodigestor específico para a gestão de lagos. “Estamos avaliando a aplicação de biodigestores caseiros para o tratamento alternativo de efluente doméstico ou produção alternativa de energia em comunidades de baixo IDH, tendo em vista a facilidade da construção e operação. No entanto, também estamos analisando a possibilidade de desenvolver biodigestores de maior escala para solucionar problemas como a proliferação de macrófitas em lagos” conta o pesquisador.

 

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