Mosquito da dengue manipulado geneticamente tem quantidade menor do vírus

Cientistas dos EUA tentam criar uma espécie totalmente imune, interrompendo, assim, a transmissão para os humanos

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postado em 13/01/2017 06:00

O mosquito transmissor da dengue foi modificado geneticamente em uma tentativa de livrá-lo dessa tarefa. Pesquisadores dos Estados Unidos impulsionaram o sistema imune do Aedes aegypti tornando-o mais resistentes ao vírus que mata 700 mil pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A técnica pode ajudar a diminuir o contágio de humanos, que adoecem depois de serem picados pelo inseto infectado. Os autores do estudo, publicado na última edição da revista Plos, acreditam que, caso a pesquisa evolua, será possível até mesmo substituir os mosquitos de hoje pelos de laboratório, erradicando a propagação do vírus.

A ideia de tornar o Aedes aegypti resistente surgiu em estudos em que a mesma equipe esmiuçou o funcionamento do organismo do mosquito. “Um de nossos trabalhos mostrou como o sistema imune do Aedes aegypti luta contra o vírus da dengue. Decidimos usar esse conhecimento e criar um mosquito geneticamente modificado, com um sistema imunológico mais forte, resistente”, explica ao Correio George Dimopoulos, líder do estudo e professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia Molecular do Instituto Johns Hopkins de Pesquisa em Malária.

Os mosquitos emitem uma resposta imunológica quando são expostos ao vírus da dengue, mas de forma fraca, não impedindo a contaminação. A equipe manipulou um componente do sistema imunológico do Aedes chamado via JAK-STAT, que regula a produção de fatores protetivos (veja infográfico). “A alteração genética aumenta o sistema imunológico antiviral dos mosquitos, suprimindo o vírus de forma mais eficaz”, detalha Dimopoulos.

A maioria dos insetos alterados geneticamente apresentou níveis muito baixos de vírus da dengue nas glândulas salivares. O experimento, no entanto, não reduziu o nível do patógeno a zero nem fez com que os animais adquirissem resistência a outros vírus, como o da zika e o da chikungunha. “Acreditamos que, por meio de engenharia genética, podemos fazer o sistema imunológico dos mosquitos ainda mais forte, para que ele possa bloquear completamente o vírus”, diz o autor.

 

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