"Temos um surto localizado de febre amarela", diz ministro da Saúde

Em coletiva nesta quarta-feira, Ricardo Barros descartou uma epidemia de febre amarela

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postado em 18/01/2017 20:19 / atualizado em 18/01/2017 21:11

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press

Em apenas quatro dias, os casos suspeitos de febre amarela subiram 54,8% em Minas Gerais. As mortes em decorrência da doença cresceram 39,4%. Na contagem anterior, divulgada na sexta-feira (13/1), eram 133 ocorrências. Agora, são 206. O número de óbitos que podem estar relacionado à enfermidade subiu, de 38 para 53 — oito já estão confirmadas. A região leste do estado é a mais afetada. Ao todo, 29 municípios, onde vivem mais de 2,4 milhões de pessoas, estão em estado de alerta.

A velocidade da expansão de casos fez com que o ministro da Saúde, Ricardo Barros, comentasse a situação. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (18/1), ele descartou uma epidemia e minimizou os riscos. "Temos um surto localizado e no momento sob controle", destacou. A pasta atualizou o número de suspeitas. Barros reforça a necessidade da vacinação. “Estamos fazendo uma alerta a população para buscarem a vacinação. Desse modo, podemos limitar novos casos”, frisa. Há, segundo o ministro, 25 milhões de doses em estoque.

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No Espírito Santo, subiu para seis o número de casos suspeitos. No estado, a morte de 80 macacos com febre amarela acendeu o sinal de alerta. O governo capixaba solicitou ao Ministério da Saúde 15 mil doses de vacina para garantir a imunização em 26 municípios. Haverá vacinação também em 45 cidades do oeste da Bahia. Desde o ano passado, cinco municípios do interior de São Paulo registraram mortes de primatas por febre amarela, onde dois morreram em 2016 com a suspeita de complicações da enfermidade.

O governo investiga a possibilidade da vacina contra febre amarela ter desencadeado casos — o imunobiológico contém o vírus vivo atenuado. "A vacina, em algumas situações, pode vir a causar febre amarela. Nos últimos anos, a gente não tem registro importante de febre amarela vacinal. Em situações em que você vacina um número grande pessoas, pode haver", argumentou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis do ministério, Eduardo Hage.

Apesar do monitoramento, Barros ressaltou que a doença causada pela vacina é um evento raro que atinge um caso em um milhão. "Por isso é importante saber se essas pessoas mortas tomaram alguma dose", concluiu. O mais provável, porém, é que o contágio tenha ocorrido de forma natural, disse o ministro.

Situação no DF


No ano passado, a adesão da vacina atingiu 81,9% da população, segundo dados preliminares até outubro. Mais de 190 mil pessoas receberam doses da vacina. No ano anterior, o índice foi de 91,7%. Em 2015, houve, pela primeira vez, aumento do mal no DF desde o surto de 2007. Ocorreram 38 notificações. No ano passado, foram registradas 24. Apesar de não haver um grande volume de doentes, o vírus está em circulação do DF. Em 2016, a Secretaria de Saúde recolheu pelo menos oito macacos mortos com a doença. Os óbitos aconteceram no Jardim Botânico, no Lago Sul e na Candangolândia.

Apesar de não ter havido notificações de febre amarela no DF em 2017, nesta semana, a Saúde publicará uma nota técnica sobre o assunto. O documento servirá como alerta aos profissionais para a notificação dos casos suspeitos e ressaltará a necessidade da imunização. Em 2015, duas pessoas morreram por complicações em decorrência da febre amarela. Goiás registrou, em 10 anos, 33 casos e 23 mortes pela enfermidade.

Surto deixa oito mortos no DF

A Secretaria de Saúde emitiu o alerta contra a doença em 28 de dezembro de 2007, após a morte de seis macacos, dois no Parque Nacional de Brasília e quatro no Park Way, área nobre próxima ao Plano Piloto.
 
As mortes provocaram a interdição da Água Mineral. No dia seguinte, a secretaria deu início à campanha preventiva de vacinação, com a mobilização de 98 centros e postos de saúde. A procura pela imunização foi intensa e mais de 1,4 milhões de pessoas foram vacinadas.
 
O primeiro brasiliense morto por febre amarela foi o técnico em informática Graco Carvalho Abubakir, em 8 de janeiro de 2008. Ele morava no Lago Norte. Ao todo, oito pessoas não resistiram à gravidade dos sintomas e faleceram naquele ano. Entre janeiro a novembro de 2007, 46 cidades brasileiras notificaram mortes de macacos. Foram confirmadas infecções por febre amarela em símios encontrados mortos em quatro localidades. Em 2000, um surto atingiu quase todo o país, poupando somente a Região Sul.

Tire dúvidas

Quais os sintomas da doença?
Causada por vírus, caracteriza-se por febre alta, pulso acelerado, cor amarelada em virtude do acúmulo de bílis no sangue, vômito negro e lesões no fígado e nos rins, que deixam de funcionar normalmente.

Quando uma pessoa é contaminada, os sintomas aparecem depois de quantos dias?
Em torno de três a cinco dias. E de forma súbita, com febre alta e dores no corpo.

Qual o prazo que preciso esperar para ser vacinado?
Antes, a vacina era aplicada a cada 10 anos. Atualmente, o cronograma é diferente. A criança recebe uma dose aos 9 meses e o reforço aos 4 anos. Dessa forma, está imunizado para toda a vidas. Os adultos que não sabem se tomaram duas doses tomam uma dose e uma década depois o reforço. Como os anticorpos do vírus atenuado do imunizante ainda circulam pelo organismo, a pessoa pode ter sintomas da doença ou encefalite. É muito pequena essa possibilidade, mas existe.

Quem não deve ser vacinado?
A vacina é contraindicada para grávidas, idosos, pessoas com HIV, pacientes com leucemia e linfoma, além de em tratamento com quimioterapia e radioterapia, e alérgicos a ovos e ao antibiótico. Mulheres que amamentam crianças com menos de 6 meses devem ser submetidas a avaliação médica para analisar os riscos e benefícios da imunização.

Por que o governo só faz campanhas quando há suspeitas de casos de febre amarela?
A vacinação é permanente. A vacina contra a febre amarela faz parte do calendário de imunização, assim como o sarampo, a paralisia infantil e outras. As doses estão disponíveis nos centros de saúde, independentemente de ocorrer um surto ou não.

Fontes: Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde.
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