Satélites monitoram como marés interferem no fluxo de gelo na Antártida

O trabalho inédito poderá ajudar no monitoramento dos impactos das mudanças climáticas

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postado em 25/01/2017 06:00 / atualizado em 25/01/2017 00:33

John Weller/AFP


As grandes superfícies cobertas de gelo existem porque há um equilíbrio entre a quantidade de neve acumulada e a que derrete em contato com o mar. Na Antártida, o material formado no interior do continente flui lentamente para a costa, movido pelo próprio peso. Em alguns locais, porém, o fluxo de gelo pode ser consideravelmente rápido, formando verdadeiros rios sólidos. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) observaram, pela primeira vez, o modo como as marés influenciam esse fluxo de gelo no continente antártico.

O estudo analisou imagens de satélite da corrente de gelo Rutford, coletadas quase continuamente por um período de nove meses. Com 300km de extensão e 25km de largura, a corrente é uma das regiões nas quais a velocidade do fluxo é alta: a superfície se desloca, em média, um metro por dia. “Correntes de gelo são faixas estreitas (entre 10km e 50km) de gelo que se movem rapidamente” explica Christopher Fogwill, professor e membro do Centro de Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. Segundo o especialista, que não participou do estudo, a maioria do gelo antártico se move lentamente, na casa das dezenas de metros por ano. Já as correntes podem percorrer centenas de metros no mesmo período.

Os cientistas Brent Minchew e Mark Simmons, ambos da Caltech, descobriram que, durante a maré baixa, a plataforma de gelo Filchner-Ronne — uma massa flutuante maior do que o estado de Goiás e por onde a Rutford passa — encosta no fundo do mar em diversos pontos, causando um estresse estrutural que diminui o fluxo e leva a um “engarrafamento” de até 100km na corrente. Ao contrário, na maré alta, a plataforma fica completamente suspensa, e a velocidade aumenta.

* Estagiário sob a supervisão de Carmen Souza

 

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