Aquecimento global e excesso de mercúrio na água e solo preocupa cientistas

Estudo sueco alerta que a aceleração das atividades industriais e o aquecimento global podem aumentar a concentração do metal nos peixes em até sete vezes. O composto tóxico seguiria na cadeia alimentar, chegando aos humanos

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postado em 28/01/2017 09:00 / atualizado em 27/01/2017 22:11

Sofi Jonsson/Divulgacao


Tóxico, o mercúrio é lançado pelas mais diversas atividades industriais no solo e nos mares. E espera-se que a concentração desse metal aumente na terra e na água pelo ritmo cada vez mais acelerado das fábricas. Por isso, cientistas suecos resolveram analisar o impacto desse crescimento no ecossistema marinho. Por meio de simulações em laboratório, detectaram dois estragos preocupantes: a redução da quantidade de algas e o aumento de bactérias. Esse novo ambiente altera a alimentação do peixe e, consequentemente, dos animais que se nutrem dele. O trabalho, publicado na última edição da revista americana Science Advances, alerta para a necessidade de medidas que impeçam o fenômeno.

O problema principal do mercúrio é que, ao entrar em contato com o mar e os organismos vivos, ele se transforma em metilmercúrio. Essa mudança é acelerada pelo aquecimento global, também provocado pelo excesso de atividades industriais.  “O metilmercúrio é um composto neurotóxico forte e que pode causar efeitos neurológicos e reprodutivos negativos em peixes e nos animais que se alimentam deles, incluindo aves, mamíferos e peixes que comem outros peixes”, explica ao Correio Erik Björn, professor-associado do Departamento de Química da Universidade de Umeå, na Suécia, e um dos autores do estudo.

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No experimento, os cientistas criaram ecossistemas em tanques, que ocuparam dois andares de um edifício. Eles coletaram núcleos de sedimentos intactos, água, nutrientes e mercúrio do estuário do rio Öre, situado no mar Báltico. Por meio de análises e cálculos, concluíram que, se ocorrer um aumento entre 15% e 30% de matéria orgânica, consequência do excesso da atividade industrial, o alcance da luz solar nos ambientes marinhos ficará bastante comprometido, com dois efeitos principais.

O primeiro é a redução de fitoplânctons, algas que representam um dos alimentos primordiais da alimentação dos animais marinhos e que crescem por meio da fotossíntese. O segundo é o crescimento de bactérias. Essa troca de nutrientes é perigosa porque a quantidade de animais marinhos que se alimentam de bactérias é maior do que a dos que comem as algas. “Uma rede dominada por bactérias tem maior número de níveis de organismos diferentes. Isso fará com que o mercúrio se acumule mais, e os animais mais prejudicados são os que comem por último, nesse caso, os peixes”, detalha Björn.

Os cientistas estimam que essa mudança alimentar pode aumentar em até sete vezes a quantidade de multimercúrio ingerida pelos peixes. “Essas regiões costeiras em que a matéria orgânica se acumula são grandes áreas de alimentação para os peixes, e o mercúrio se acumularia em níveis elevados em peixes que também usamos como alimento”, frisa Björn. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o metal com um dos 10 produtos químicos de maior preocupação à saúde pública, ao lado do chumbo e das dioxinas.

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