Cientistas usam "combo" de remédios para combater dores da chicungunha

Pesquisadores americanos conseguiram eliminar dores nas articulações em ratos que exibiam sintomas iniciais da doença

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postado em 02/02/2017 06:00 / atualizado em 02/02/2017 08:14

Arte/CB/DA Press
 

Combinando uma droga para artrite reumatoide com outra, que tem como alvo o vírus chicungunha, pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, conseguiram eliminar as dores articulares em ratos que exibem sintomas iniciais da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A descoberta, de acordo com eles, pode levar ao desenvolvimento de uma nova droga para uma condição debilitante para qual ainda não há tratamento. A descoberta foi publicada na edição desta semana da revista Science Translational Medicine.

Até uma década atrás, o vírus chicungunha estava restrito à África ocidental e ao sudeste asiático. Contudo, recentemente se espalhou pelo mundo. No Brasil, a incidência da doença, no ano passado, foi de 129,9 casos em cada 100 mil habitantes, número 620% superior ao de 2015, quando houve 18,7 registros para cada 100 mil. De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, as infecções pelo chicungunha devem aumentar nos próximos meses.

Uma das sequelas que o vírus pode deixar nos casos mais graves é o comprometimento das articulações. “Mas descobrimos que combinar duas drogas pode abolir os sinais de artrite durante a fase aguda”, explica Deborah Lenschow, professora de medicina e coautora do estudo, referindo-se à primeira semana depois da infecção. Além dr dor nas articulações e febre, a doença provoca fadiga, erupções na pele e desconforto muscular. A maioria dos pacientes continua a ter problemas nas juntas passados seis meses, e para alguns a artrite se torna crônica.

“Estávamos vendo pessoas na nossa clínica reumatológica cujos sinais e sintomas realmente mimetizavam os da artrite reumatoide, mas que foram infectadas pelo chicungunha”, conta Lenschow. “Isso levantou uma questão na nossa cabeça: será que terapias que usamos para tratar a artrite reumatoide podem beneficiar de alguma forma pacientes com artrite causada pelo chicungunha?”.

Para descobrir, Lenscow, o coautor do estudo, Michael Diamond e outros pesquisadores da Universidade de Washington testaram, em ratos infectados com o vírus chicungunha, seis drogas para artrite reumatoide — todas aprovadas pelo Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de saúde norte-americana, para uso em humanos. Todos os medicamentos trabalham suprimindo a atividade do sistema imunológico. Embora de diferentes formas, a artrite reumatoide e o chicungunha provocam superativação anormal das células imunes nas articulações.

Os cientistas inocularam vírus em sete grupos de ratos e, três dias depois, administraram uma das seis drogas ou placebo para cada grupo. Passada uma semana, quando os sinais de artrite atingiram o pico, eles mediram o inchaço ao redor das juntas, assim como o número de células e moléculas imunes nas áreas afetadas. Dois dos compostos — abatacept e tofacitinib — reduziram significativamente os sinais, além dos níveis celulares e moleculares.

A quantidade de vírus circulante não aumentou nos animais que receberam as drogas. “Havia a preocupação muito grande de que qualquer imunossupressor poderia permitir que o vírus escapasse do controle imune, levando a pioras a longo prazo”, explica Diamond. “Nós já vimos isso em outros vírus, mas, nesse caso, nenhuma das drogas pareceu exacerbar a replicação viral. Isso levanta a possibilidade de que elas podem ser investigadas com segurança em humanos”, acrescenta.

Crises recorrentes
O tratamento foi apenas parcialmente bem-sucedido para resolver a artrite, contudo, o que levou os pesquisadores a testar se, ao adicionar um anticorpo humano contra o vírus, haveria melhora na efetividade. Da mesma forma de antes, eles infectaram ratos com o chicungunha e, três dias depois, ministraram a droga abatacept, o medicamento antiviral ou ambos. Cada composto reduziu, individualmente, o inchaço nas articulações depois de uma semana. Mas quando o abatacept e o antiviral foram usados juntos, a infecção também foi eliminada. “Nós vimos melhora real na fase aguda, mas, infelizmente, as intervenções falharam na fase crônica”, diz Diamond.

Em humanos, a artrite por chicungunha crônica começa três meses depois da infecção inicial e dura o tempo que o paciente leva sentindo dor, o que pode ser de três a quatro anos. Durante essa fase, o vírus não é mais detectável nas juntas, mas o material genético dele persiste e pode ser o suficiente para desencadear outra resposta imune, causando dano no tecido, o que é percebido como mais uma crise de artrite. Os pesquisadores encontraram um padrão similar em ratos tratados com a combinação das drogas. Quatro semanas depois da infecção, o vírus não estava mais presente nas articulações, mas o material genético permanecia, sugerindo que as drogas não eliminaram a fase crônica.

É possível que um tratamento que reduza os sintomas da artrite nas primeiras semanas depois da infecção diminua as chances de a doença se tornar crônica, mas não há dados na literatura científica a respeito. Ainda assim, qualquer tratamento efetivo, mesmo que de curta duração, traria benefícios aos pacientes de chicungunha, que até agora não têm opções, ressaltam os autores do trabalho. “Nas primeiras semanas, as pessoas estão realmente muito doentes, com febre alta e dor. Então, se estudos futuros mostrarem que esse tratamento combinado é efetivo em humanos, elas terão ganhos reais. Em relação à fase crônica, continuamos buscando outras estratégias”, diz Diamond.


Vacina da zika só
depois de 2020


A imunização de mulheres em idade fértil contra o zika demorará ao menos três anos, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Cerca de 40 vacinas candidatas estão sendo estudadas. Algumas já estão na fase de ensaios clínicos, mas uma vacina considerada suficientemente segura para mulheres em idade de engravidar não poderá ser autorizada antes de 2020”, indicou o comunicado. Há um ano, o v´rius  ligado a anomalias em fetos foi consierado “emergência de saúde pública global”, estado revisto em 18 de novembro. “A propagação internacional continua, mesmo com taxas menores. Cerca de 70 países e territórios nas Américas, na África, na Ásia e no Pacífico relataram casos desde 2015”, disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS.

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