Contaminação por resíduos químicos chega às zonas abissais

"Encontrar estas substâncias contaminantes em um dos locais mais escondidos e inacessíveis da Terra nos faz perceber o impacto devastador a longo prazo do ser humano sobre o planeta", destaca pesquisador

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postado em 13/02/2017 16:45

A contaminação produzida pelo ser humano alcança o fundo dos oceanos, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira, que detalha o achado de componentes químicos proibidos em amostras de anfípodes, pequenos crustáceos que residem nas zonas abissais.

"As zonas abissais são vistas ainda como reinos distantes e imaculados, preservadas da ação humana, mas nosso trabalho mostra que, infelizmente, essa ideia está longe de ser verdade", destaca Alan Jamieson, pesquisador da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, e coautor deste estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution.
 
 
Para examinar estes crustáceos, um dos poucos organismos capazes de sobreviver a tais profundidades e níveis de pressão, os pesquisadores usaram ferramentas especiais capazes de chegar a duas enormes fossas do Pacífico: a das Marianas, a mais profunda conhecida (cerca de 11 km), perto da ilha Guam, e a fossa de Kermadec (mais de 10 km), ao norte da Nova Zelândia.

O que descobriram foi que, inclusive no mais profundo da crosta terrestre, os anfípodes apresentam níveis "extraordinários" de contaminação química.

Os cientistas puderam testar a presença de PCB (bifenilos policlorados), proibidos há 40 anos, e de PBDE (éteres difenílicos polibromados), utilizados durante muito tempo para tornar materiais têxteis e plásticos resistentes ao fogo.

Ambos os componentes estavam presentes em todas as amostras recolhidas nas zonas abissais em diferentes profundidades.

"Encontrar estas substâncias contaminantes em um dos locais mais escondidos e inacessíveis da Terra nos faz perceber o impacto devastador a longo prazo do ser humano sobre o planeta", destaca Alan Jamieson.

Entre os anos 1930 e 1970, foram produzidas 1,3 milhão de toneladas de PCB no mundo. Desde então, em torno de 35% acabou chegando ao oceano e aos sedimentos terrestres.
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