Especialistas questionam eficácia e necessidade do exame pélvico

Isso não se refere, contudo, à realização do teste preventivo de câncer cervical, o Papanicolau, que continua indicado

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postado em 08/03/2017 06:00

O exame pélvico ginecológico pode ser desnecessário para mulheres assintomáticas e para as que não estão grávidas, segundo um painel de especialistas independentes dos Estados Unidos. Depois de analisar diversos estudos, eles afirmaram que não há indicação de que os benefícios desse tipo de investigação física são maiores que os riscos e os desconfortos. Isso não se refere, contudo, à realização do teste preventivo de câncer cervical, o Papanicolau, que continua indicado.

Alguns ginecologistas realizam o exame que consiste em introduzir o dedo no útero da mulher a fim de avaliar diversas condições, como doenças infecciosas, cânceres e tumores benignos. Embora seja um procedimento rotineiro nos consultórios, não está claro se, em mulheres assintomáticas e não gestantes, ele poderia reduzir o risco de doença ou morte. Para avaliar essa questão, os especialistas da Força Tarefa Norte-Americana para Serviços Preventivos (USPSTF, sigla em inglês) fizeram a revisão de artigos que investigaram os benefícios e os riscos em potencial do exame pélvico para mulheres acima de 18 anos.

Os especialistas não encontraram evidências suficientes da acurácia do procedimento para a detecção de uma série de condições ginecológicas. Há poucas indicações de que, sozinho, o teste possa ajudar no diagnóstico precoce do câncer cervical. Segundo o painel, que divulgou os resultados na revista Jama, um número muito pequeno de estudos investigou se outras doenças poderiam ser identificadas apenas com esse exame. Nenhum dos artigos estudados mostrou benefícios do método para a qualidade de vida e para evitar mortalidades por todas as causas ou por doenças específicas. No artigo, o USPSTF também não encontrou evidências suficientes sobre o risco do procedimento. Poucos reportaram falsos positivos e falsos negativos para câncer de ovário.

O ginecologista Eduardo Cordioli, integrante da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), diz que não há recomendação oficial, no Brasil, a respeito da necessidade desse procedimento. “Particularmente, acho desnecessário apalpar o útero da paciente. Fora que, ao fazer o Papanicolau, o médico já consegue visualizar o colo do útero. Se fizer o ultrassom e o exame preventivo, não há vantagem nenhuma de se fazer a apalpação”, diz. (PO)

“Ao fazer o Papanicolau, o médico já consegue visualizar o colo do útero. Se fizer o ultrassom e o exame preventivo, não há vantagem nenhuma de se fazer a apalpação”
Eduardo Cordioli, ginecologista
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