Cientistas descobrem uma nova maneira de consolidação de memórias

Estudo revela que recordações são formadas no hipocampo e na região de armazenamento de longa duração simultaneamente

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postado em 07/04/2017 06:00 / atualizado em 07/04/2017 08:57

Cristiano Gomes/CB/D.A Press


Quando se visita um amigo ou se vai à praia, o cérebro armazena a memória de curto prazo da experiência em uma parte chamada hipocampo. Essas memórias, depois, são consolidadas, ou seja, transferidas para outra parte do órgão para serem estocadas por longo prazo. Um novo estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) revelou, pela primeira vez, que as recordações, na verdade, são formadas no hipocampo e na região de armazenamento de longa duração simultaneamente. Contudo, elas ficam silenciosas por cerca de duas semanas, antes de atingir um estágio de maturidade. O artigo, publicado na revista Science, pode forçar a revisão dos modelos dominantes de como a memória se consolida, disseram os autores.

 

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Ao longo do tempo, os neurocientistas desenvolveram dois grandes modelos para descrever como as memórias são transferidas do curto para o longo prazo. O mais antigo, conhecido como padrão, propôs que as de curto prazo são formadas e estocadas, inicialmente, apenas no hipocampo, antes de serem transferidas, gradualmente, para o neocórtex. Proposta mais recente sugere que traços de memórias episódicas continuam no hipocampo. Esses traços podem estocar detalhes da memória, enquanto que esboços mais gerais ficam armazenados no neocórtex.

Até recentemente, porém, não havia uma boa forma de testar as teorias. Em 2012, o laboratório de Susumu Tonegawa, do Centro de Genética dos Circuitos Neurais Riken-MIT, desenvolveu uma nova forma de estudar células chamadas engramas, que contêm memórias específicas. Isso permitiu traçar os circuitos envolvidos no armazenamento das memórias. Agora, os pesquisadores usaram essa abordagem para rotular as células de memória de ratos durante um evento de condicionamento do medo (choque moderado quando o animal entrava em determinado recinto). Usando luz para reativar artificialmente os engramas, eles descobriram que as recordações do evento estavam estocadas no hipocampo e no córtex pré-frontal. Contudo, as células do córtex estavam silenciosas — elas podiam estimular o comportamento de medo quando ativadas, artificialmente, pela luz, mas, no processo natural de recordação, não eram ativadas.


Anatomia modificada


Ao longo das duas semanas, as células silenciosas maturaram, o que se refletiu nas mudanças em sua anatomia e atividade fisiológica, até se tornarem necessárias para os animais recordarem, naturalmente, do evento — e, assim, evitarem entrar no recinto onde podiam tomar choque. Nesse mesmo período, os engramas tornaram-se silenciosos no hipocampo. Contudo, ainda estavam lá. Ao reativá-las com luz, os ratos congelavam, um comportamento de medo.

 


De acordo com os pesquisadores, mais estudos são necessários para determinar se a memória se apaga completamente do hipocampo ou se alguns traços dela continuam. Atualmente, os cientistas só conseguem monitorar os engramas por duas semanas, mas eles estão trabalhando para adaptar a tecnologia, de forma que funcione por um período mais longo.

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