Cientistas registram aumento da poluição sonora em áreas protegidas

Autores do estudo ressaltam que os resultados servem como um alerta para que medidas que reduzam a poluição acústica nesses ambientes sejam adotadas

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postado em 05/05/2017 06:00 / atualizado em 05/05/2017 00:25

A constante expansão das cidades fez com que muitos países criassem espaços com recursos naturais intocáveis. Apesar do cuidado recebido, esses refúgios ambientais têm sido prejudicados pela poluição sonora. Cientistas americanos registraram um aumento nos níveis do ruído antropogênico — sons produzidos pela ação do homem — em áreas protegidas, nos Estados Unidos. Os autores do estudo, publicado na revista americana Science, ressaltam que os resultados servem como um alerta, para que medidas que reduzam a poluição acústica nesses ambientes sejam adotadas.
 

Os efeitos negativos causados pela poluição sonora geralmente são negligenciados pela sociedade, mas têm sido impulsionados pela expansão de atividades humanas, como o transporte. Preocupados com esse cenário, os cientistas decidiram medir os níveis do “barulho” produzido pelo homem em áreas protegidas pelos americanos. A equipe constatou que o ruído antropogênico dobrou de nível em 63% das áreas analisadas e aumentou em até 10 vezes em 21% dos espaços protegidos.

Os dados surpreenderam os investigadores. “Os níveis de ruído que encontramos podem ser prejudiciais às experiências dos visitantes nessas áreas e prejudiciais à saúde humana e à vida selvagem”, explicou, em um comunicado à imprensa, Rachel Buxton, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade do Colorado.

De acordo com os cientistas, o aumento do ruído antropogênico impede que o homem possa ouvir o som natural do meio ambiente, reduzindo as propriedades restauradoras do tempo que as pessoas desfrutam a natureza, como o aumento do humor e a redução do estresse, por exemplo. A poluição sonora também afeta negativamente a vida selvagem, ao assustar ou distrair os animais. Os pesquisadores encontraram níveis elevados de poluição sonora também em habitats de espécies ameaçadas de plantas e insetos. “Embora as plantas não possam ouvir, muitos animais que dispersam sementes ou polinizam flores podem ser afetados pelo ruído, resultando em impactos indiretos nas plantas”, detalhou Buxton.

A pesquisa revelou ainda que níveis elevados de poluição sonora dentro de áreas protegidas estavam presentes em locais específicos, onde as técnicas de redução de ruído podem ser melhor direcionadas. Algumas regiões preservadas introduziram técnicas eficazes, como a criação de serviços de transporte para reduzir o tráfego. “Muitas estratégias de mitigação de ruído foram desenvolvidas e implementadas com sucesso, então já temos os conhecimentos necessários para lidar com esse problema. Nosso trabalho fornece informações para facilitar esses esforços em relação às áreas protegidas onde os sons naturais são essenciais”, ressaltou George Wittemyer, professor-associado da Universidade Estadual do Colorado e um dos autores do estudo.

Os investigadores explicam que no dia a dia a maioria das pessoas não pensa nos sons emitidos pela natureza como um componente importante ao ambiente natural. “Da próxima vez que você for dar um passeio no bosque, preste atenção aos sons que escuta — o fluxo de um rio, o vento através das árvores, ospássaros cantando. Esses recursos acústicos são tão magníficos como os visuais, e merecem nossa proteção”, frisou Buxton.
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