Técnica impede multiplicação de células e pode ajudar a controlar o câncer

Pesquisadores norte-americanos identificaram uma proteína presente no ciclo de proliferação dos tumores cancerígenos que, ao ser silenciada, pode retardar a evolução rápida e altamente prejudicial da doença

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postado em 26/05/2017 06:00 / atualizado em 26/05/2017 08:15

Wellcome Images/Divulgação
 

 

Uma das características do câncer que mais dificulta o seu combate é o crescimento anormal e incontrolável das células doentes. Pesquisadores norte-americanos identificaram uma proteína presente no ciclo de proliferação dos tumores cancerígenos que, ao ser silenciada, pode retardar a evolução rápida e altamente prejudicial da doença. Testes em laboratório feitos com tumores humanos surtiram resultado positivo, o que leva a equipe a acreditar que poderá desenvolver um tratamento mais eficaz contra os carcinomas.

 

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Todas as células têm um ciclo em que uma série de eventos desencadeia o seu crescimento e a sua divisão ordenada. No câncer, porém, há um desequilíbrio, com uma divisão descontrolada que leva as células a invadirem diversos tecidos do corpo. Os pesquisadores identificaram que a proteína Tudor-SN desempenha um papel importante durante o ciclo celular, principalmente no período preparatório, antes de a estrutura começar a se dividir. Eles usaram, então, uma tecnologia de edição de genes, chamada CRISPR-Cas9, para eliminar a Tudor-SN em células de câncer de rim e colo de útero.

A intervenção fez com que as células levassem mais tempo para se preparar para a divisão, ou seja, a perda da proteína retardou o ciclo celular. “Sabemos que a Tudor-SN é mais abundante em células cancerosas do que nas saudáveis, e nosso estudo sugere que o direcionamento dessa proteína poderia inibir o crescimento rápido de células cancerosas”, declarou, em comunicado à imprensa, Reyad Elbarbary, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores também descobriram que a Tudor-SN influencia o ciclo celular porque controla microRNAs — moléculas que atuam na expressão de milhares de genes. Quando a proteína é removida das células, os níveis de microRNAs sobem, colocando “freios” em genes que estimulam o crescimento celular. “Com esses genes na posição ‘desligada’, a célula se move mais lentamente na fase preparatória, antes da divisão celular. Como as células cancerosas têm um ciclo celular defeituoso, perseguir fatores envolvidos no ciclo celular é uma avenida promissora para o tratamento do câncer”, frisou Lynne E. Maquat, pesquisadora do Centro de Biologia do RNA, e também autora do estudo.

Maquat apresentou um pedido de patente para o tratamento e adianta que as próximas etapas de investigação analisarão quais moléculas e proteínas poderão ajudar a silenciar a Tudor-SN. Segundo ela, já existem compostos que podem bloquear a ação da proteína. A pesquisa atual foi detalhada na edição desta semana da revista Science.

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