Cientistas descobrem como o cérebro reconhece rostos em fotos

Pesquisadores verificaram que, em vez de representar uma identidade específica, cada célula da face representa um eixo específico dentro de um espaço multidimensional

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postado em 02/06/2017 06:00 / atualizado em 02/06/2017 00:55

Guillermo Legaria/AFP
 

 

Como ao olhar fotos de rostos, o cérebro de uma pessoa identifica instantaneamente aqueles que ela conhece?  Nos últimos anos, cientistas tentam entender esse mecanismo cerebral tido como complexo. Em um estudo publicado na última edição da revista Cell, porém, pesquisadores dos EUA quebraram o código do reconhecimento facial feito por primatas e concluíram que o mecanismo pode ser menos complicado . “Descobrimos que esse código é extremamente simples”, declarou, em comunicado à imprensa, Doris Tsao, professora de biologia no Instituto de Tecnologia da Califórnia e autora principal do estudo.

 

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Em pesquisas anteriores, a equipe conduzida por Tsao usou aparelhos de ressonância magnética para identificar, em humanos e outros primatas, seis áreas do cérebro responsáveis pela identificação de rostos. Todas estavam localizadas no córtex temporal inferior e receberam o nome de face patches. Depois, em outras investigações, descobriram que essas áreas estão repletas de neurônios que trabalhavam mais fortemente quando os macacos viam rostos conhecidos. Esses neurônios foram chamados de células da face.

Acreditava-se  que cada célula da face representava um rosto específico, mas um paradoxo dessa tese incomodava o grupo. “Você poderia potencialmente reconhecer 6 bilhões de pessoas, mas você não tem 6 bilhões de células da face no córtex temporal inferior. Tinha que haver alguma outra solução”, detalhou Tsao. No estudo atual, os cientistas descobriram que, em vez de representar uma identidade específica, cada célula da face representa um eixo específico dentro de um espaço multidimensional.

Da mesma forma que as luzes vermelha, azul e verde se combinam de maneiras diferentes para criar todas as cores possíveis em um espectro, esses eixos podem se combinar de maneiras distintas e criar uma infinidade de faces. “As pessoas sempre dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Eu gosto de dizer que a imagem de um rosto vale cerca de 200 neurônios.”

A investigadora exemplificou como a descoberta pode ser usada na ciência. “Uma consequência prática de nossos resultados é que, agora, podemos reconstruir um rosto que um macaco está vendo monitorando a atividade elétrica de somente 205 neurônios no cérebro dele. Podemos imaginar também aplicações na área forense, onde conseguiríamos reconstruir o rosto de um criminoso analisando a atividade cerebral de uma testemunha.”

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