DNA pode interferir no desempenho de corredores de longa distância

Segundo estudo espanhol, ao menos sete genes influenciam no tamanho dos danos musculares gerados durante as provas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 27/06/2017 06:00

Eric Feferberg/AFP -  9/4/17

Nos últimos anos, correr virou moda. Mais de 2,5 mil anos depois do herói grego Pheidippides, muitas pessoas ainda querem imitá-lo, participando de competições todas as semanas. Mas há uma grande diferença entre as demandas físicas de percorrer alguns quilômetros e completar uma maratona. Agora, pesquisadores espanhóis concluíram que a genética desempenha um papel essencial no sucesso obtido nessas provas de longa distância.

A maratona envolve um comprometimento fisiológico enorme, de vários sistemas: respiratório, cardiovascular e musculoesquelético, diz Juan Del Coso, do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Universidade Camilo José Cela. "Em relação às demandas musculares, completar uma prova requer aproximadamente 30 mil passos, enquanto as pernas absorvem entre uma vez e meia e três vezes o peso do corpo do corredor a cada passo", explica. Dessa forma, as contrações dos músculos inferiores, repetidas continuadamente durante a competição para atingir o ritmo da corrida, podem causar deterioração progressiva das fibras musculares, como resultado de um esforço muito intenso e prolongado.

Leia mais notícias em Ciência e Saúde

No estudo, publicado na revista Plos One, especialistas da instituição analisaram os corredores, na expectativa de determinar a influência do DNA nos danos musculares ocorridos durante a prova. A pesquisa baseou-se no fato de que há atletas que completam maratonas com um nível muito baixo de deterioração dos músculos, enquanto outros atingem a linha de chegada com dores profundas, mesmo quando não há diferenças no treino desses corredores.

De acordo com Del Coso, o dano muscular tem duas consequências principais: por um lado, o músculo atingido perde a habilidade de produzir força, o que está associado à falta de reserva de energias sentida pelos corredores depois de 35km. Além disso, as proteínas das fibras danificadas são liberadas no sangue, permitindo quantificá-las, ao se medir a quantidade de creatinina ou mioglobina em uma amostra de sangue.

“Uma alta concentração dessas proteínas no plasma significa que houve grandes danos nas fibras musculares e, portanto, maior probabilidade de fadiga. Mas isso também pode ter relação com problemas médicos complexos, como lesão renal aguda, em consequência do acúmulo de proteínas musculares nos túbulos renais”, explicou Del Coso.

No Laboratório de Fisiologia do Exercício, os pesquisadores se concentraram em sete genes associados à função muscular em 71 maratonistas experientes, que fizeram exames de sangue antes e depois da competição, além de serem submetidos a avaliações do poder do pulo vertical e da percepção muscular.

Para cada gene, foi determinado um escore, baseado em estudos prévios, onde 0 indicava que o polimorfismo do gene não criava vantagem muscular para correr uma maratona; 1 significava nível padrão; e 2 mostrava que a forma do gene conferia propriedades positivas para proteger os músculos do esforço. Dessa forma, os corredores com um alto escore — o máximo era 14 — tinham genética muscular melhor para suportar a prova, enquanto que a baixa pontuação indicava o oposto.

Novos treinos


Os resultados foram conclusivos: corredores com escore genético alto tiveram níveis mais baixos de creatinina e mioglobina no sangue, ou seja, houve menos dano às fibras musculares, comparado aos maratonistas com pontuação menos favorável. Segundo o pesquisador, o trabalho abre caminho para o uso de genética nos treinamentos. “Em um futuro próximo, os maratonistas poderão ser capazes de medir seu perfil genético para saber como se preparar antes de competirem em maratonas e testes de resistência.”

Isso, porém, não é uma desculpa para evitar maratonas: ter um perfil genético desfavorável só significa que esses corredores terão de fazer treinamento específico para que seus músculos estejam prontos, frente às exigências da prova. Prova clássica das Olimpíadas e cada vez mais praticada por amadores, as maratonas têm 42,195 quilômetros.


Ajuste para a realeza

 
Embora a lenda diga que Pheidippides correu 42km para chegar à maratona de Atenas, a realidade é que ele fez 200km em menos de 48 horas, algo para que estava preparado, já que sua profissão era de mensageiro corredor. Diferentemente da crença popular, a distância exata da maratona — 42.195km — foi estabelecida nos Jogos Olímpicos de 1908, celebrados em Londres, e se baseia na distância entre a cidade de Windsor e o estádio de White City, na capital. Os últimos 195m foram adicionados de forma que os últimos passos ocorressem em frente ao camarote real do estádio. 
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.