Lua tem mais água do que o imaginado, aponta estudo norte-americano

Usando dados de satélite, a equipe esclareceu que os depósitos vulcânicos têm quantidades bem elevadas de água provenientes das profundezas lunar

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postado em 25/07/2017 06:00 / atualizado em 25/07/2017 09:12

Breno Fortes/CB/D.A Press 27.4.16


Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, disse que se tratava de um astro “completamente seco”, de “uma magnífica desolação”. Quase 40 anos depois, em 2008, pesquisadores descobriram moléculas de água no interior do magma trazido de lá para a Terra pelos astronautas do Programa Apollo. Agora, um estudo divulgado na edição desta segunda-feira (24/7) da revista Nature Geosciences indica que a água não só existe no satélite, como também em quantidade muito superior ao imaginado. “Encontramos traços de água em todos os lugares nas profundezas da Lua, utilizando dados satelitais”, contou Shuai Li, da Universidade Brown em Providence (Estados Unidos), e coautor do estudo.


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Usando dados de satélite, a equipe conseguiu esclarecer que os depósitos vulcânicos contêm quantidades excepcionalmente elevadas de água provenientes das profundezas lunar. “Esses depósitos ricos em água estão distribuídos sobre a superfície, comprovando que a água encontrada nas amostras do Apollo não são casos isolados”, explicou Ralph Milliken, também da Universidade de Brown e coautor do estudo.

Em 2008, questionava-se se as amostras refletiam as condições gerais das entranhas da Lua ou se representavam regiões excepcionalmente ricas em água, mas anormais em um local de crosta seca. Segundo o estudo, esses depósitos contêm pouca água (menos do que 0,05%), mas são enormes, podendo chegar a até 1.000 quilômetros quadrados. Juntos, fazem da Lua um lugar “incrivelmente rico em água”.

A descoberta fortalece os projetos de colonização do satélite e de utilização dele como base para o reabastecimento de voos interplanetários. Nesse caso, seria possível contar com uma espécie de posto de reabastecimento — algo estratégico, considerando o alto consumo de combustível desde o lançamento da superfície terrestre. “A água poderia ser utilizada como um recurso in situ para uma posterior exploração do espaço”, complementou Shuai Li.


E o hidrogênio?


A hipótese mais difundida sobre a origem da Lua é a de que, logo após a formação do Sistema Solar, houve uma grande colisão entre a Terra e um corpo do tamanho de Marte. A descoberta de existência de água abundante no satélite também levanta dúvidas sobre como o hidrogênio necessário para a formação dessa substância conseguiu resistir às extremas temperaturas causadas pelo forte impacto.
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