Uma 'pequena Pompeia' é descoberta no sudeste da França

O sítio, no qual foram descobertos restos de moradias que datam do século I d.C, teria sido habitado durante cerca de três séculos, antes de ser abandonado por seus habitantes devido a vários incêndios

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postado em 02/08/2017 14:38 / atualizado em 02/08/2017 15:11

Arqueólogos franceses descobriram um antigo sítio romano nas margens do rio Rhône (Ródano), sudeste da Franca, descrito como uma "pequena Pompeia", que abriga restos de luxuosas moradias e prédios públicos muito bem conservados. 
 
 
"Somos muito sortudos, esta é, sem dúvida, a escavação mais excepcional de um sítio romano dos últimos 40 ou 50 anos", exclamou Benjamin Clément, o arqueólogo que dirige esta escavação em Sainte-Colombe, cerca de 30 km ao sul da cidade de Lyon.

Estes vestígios faziam parte da Viena romana, uma cidade que na Antiguidade se estendia por ambos os lados do rio e que abriga um rico patrimônio gaulês-romano. Foram descobertos durante uma escavação preventiva, anterior à construção de um complexo residencial.

Este sítio é excepcional devido ao seu tamanho incomum - quase 7.000 metros quadrados em uma área urbana -, pela diversidade dos vestígios descobertos e seu bom estado de conservação, resume Benjamin Clément.

O sítio, no qual foram descobertos restos de moradias que datam do século I d.C, teria sido habitado durante cerca de três séculos, antes de ser abandonado por seus habitantes devido a vários incêndios.

"Foram estes incêndios sucessivos que permitiram conservar o sítio depois que seus habitantes fugiram, transformando a área em uma pequena Pompeia", indicou Clément.  

Entre as estruturas que sobreviveram figuram os restos de uma residência luxuosa que foi batizada como a Casa dos bacanais, pelo seu pavimento em mosaico que representa uma procissão de fieis em homenagem a Baco, o deus romano do vinho.

As chamas consumiram o primeiro andar, o teto e a varanda desta suntuosa moradia que contava com balaustradas, ladrilhos de mármore, amplos jardins e um sistema hidráulico, mas partes da estrutura colapsada sobreviveram.

Os arqueólogos acreditam que a casa pertencia a um comerciante rico. 

"Poderemos restaurar esta casa do chão até o teto", disse Clément. 

Escola de Filosofia

Em outra casa, um mosaico representa Tália, a musa do teatro e da comédia, seminua, sendo sequestrada por um luxurioso Pã, o deus dos bosques.

Os mosaicos estão sendo removidos com muito cuidado e levados para ser restaurados. No futuro, poderiam ser exibidos no museu gaulês-romano de Saint-Romain-en-Gal, na cidade francesa de Viena.


Clément acredita que este edifício poderia ter abrigado uma escola de filosofia. "Sabemos graças a inscrições que existia uma escola muito importante em Viena. Pode ser que a tenhamos localizado", apontou otimista este arqueólogo. 

As escavações, que começaram em abril, deveriam terminar em meados de setembro, mas o Estado francês as estendeu até o final do ano devido a esta descoberta considerada "excepcional" pelo Ministério da Cultura.

Nos próximos meses, a equipe de 20 arqueólogos escavará em partes mais antigas do sítio e explorará uma zona que contém oficinas.

"Escavando um pouco mais, descobriremos provavelmente outras estruturas excepcionais", espera Benjamin Clément.
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