Jornal Correio Braziliense

Mulher com útero transplantado dá à luz nos Estados Unidos

Esta é a primeira vez que uma paciente com útero transplantado gera uma vida em seu próprio ventre, nos Estados Unidos. Na Suécia, oito mulheres já foram submetidas ao procedimento

Fernanda Soraggi*

Dr. Robert T. Gunby Jr Dr. faz o parto da mulher que recebeu o útero transplantado. - Foto: Shannon Faulk/Baylor University Medical Center at Dallas 

A ciência está em festa com o nascimento de um bebê, nos Estados Unidos. A mãe é uma mulher com o útero transplantado, o que deu à notícia, celebrada no país e no mundo, um sabor a mais.  Em entrevista ao jornal The New York Times, o porta-voz do Centro Médico da Universidade de Baylor, em Dallas, Julie Smith, disse que a família, hoje, pede privacidade. Por isso, nome, data de nascimento da criança e a cidade que eles moram não serão divulgados. O parto aconteceu em novembro. 

 

A mãe da criança nasceu sem útero, mas, em 2006, recebeu o transplante de uma doadora viva.

 

Uma nova esperança

De 2014 para cá, oito bebês já nasceram pelo mesmo procedimento. Todos na Suécia, segundo o NYT. O transplante dá esperanças à mulheres que desejam ser mães, mas não podem, por terem retirado o útero ou, como no caso da paciente norte-americana, nasceram sem o órgão. Pesquisadores estimam que, só nos Estados Unidos, 50 mil mulheres possa se candidatar aos transplantes.

 

No hospital Bayler, oito pacientes já foram transplantadas, incluindo a nova mamãe, em uma clínica habilitada para atender dez mulheres. Uma delas já está grávida. Outras duas estão na fila para o procedimento ciúrgico. Quatro transplantadas rejeitaram o órgão e tiveram que retirá-lo logo após a cirurgia.  

 

O transplante

O procedimento ainda está em fase experimental. Atualmente, a cirurgia é paga por verbas de pesquisas. Caso a cirurgia se torne uma prática médica comum, disponível ao público, deve custar milhões de doláres – sem valor estimado até então. Além de caro, e inovador, o método ainda é considerado perigoso, tanto para o receptor quanto para o doador. A gravidez é tida como de alto risco e geralmente não chega a completar as 40 semanas. O parto é feito, sempre, por cesárea. Após o nascimento do bebê, o útero é retirado do corpo da mulher, para que ela não precise mais tomar os remédios controlados, ingeridos na intenção de fazer com o que o corpo não rejeite o órgão.

 

*Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli