Jornal Correio Braziliense

CFM divulga nova cirurgia aliada contra a diabetes tipo 2

A pasta espera contribuir para a possibilidade de redução das taxas de morbidade e mortalidade no Brasil por meio do controle da doença

Ingrid Soares - Especial para o Correio

Os portadores de diabetes tipo 2 ganharam mais uma aliada na luta contra a doença. O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nesta quinta-feira (7/12) os novos critérios para a realização de cirurgia metabólica no país.

 

Antes a técnica era apenas de caráter experimental. Para se submeterem ao procedimento, os pacientes devem ter o índice de massa corpórea (IMC) entre 30kg/m2 e 34,9 kg/m2, com a condição de que não tenha conseguido sucesso no tratamento clínico. Deve ter idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos e o diagnóstico de diabetes tipo 2 deve ter menos de 10 anos.

 

Com a nova resolução, a pasta espera contribuir para a possibilidade de redução das taxas de morbidade e mortalidade no Brasil por meio do controle da doença. Há dois tipos de cirurgia metabólica: Por derivação gastrojejunal em Y-de-Roux (DGJYR) ou gastrectomia vertical (GV) e funcionam através de mecanismos que fazem o pâncreas do indivíduo ‘acordar’ e produzir insulina. Com isso, os tecidos diminuem a resistência à ação da insulina que aumentou.

 

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A cirurgia só poderá ser feita em hospitais de grande porte, com UTI e equipe multidisciplinar. Segundo Ricardo Cohen, Membro da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e diretor do Centro de Obesidade e Diabete Oswaldo Cruz, a cirurgia não exclui a possibilidade de remédios para evitar a volta da doença e é a última opção a ser considerada. “Essa cirurgia acompanha mais de 50 países no mundo. A longo prazo, ambas promovem perda de peso, que além de melhorar a qualidade de vida do indivíduo deixa as células gordurosas mais sensíveis à ação da insulina. Vamos permitir acesso a pacientes que são segregados por conta do peso, quando o que tem que fazer é incluir por conta da gravidade. Temos que priorizar o mais doente, não o mais pesado ou mais leve”, explica.

 

A indicação da cirurgia se dará pela indicação de dois médicos especialistas em endocrinologia, tendo em vista a segurança do paciente. Isso desde que apresente laudo que comprove o não sucesso do tratamento por remédios orais e injetáveis, além de mudança no estilo de vida. A diabetes tipo 2 alcançou o status de epidemia e é uma das principais causas de acidente vascular cerebral, insuficiência renal e cegueira. No Brasil, o número de pessoas diabéticas em 2015, com idade entre 20 e 79 anos, atingiu a marca de 14,3 milhões. Em 2040, a expectativa é de que chegue a 23,3 milhões de pessoas. Com a portaria, a cirurgia fica autorizada no país. No SUS, depende da pasta incorporar no rol de tratamentos que oferece. O texto da resolução n° 2172/2017 foi enviado ao Diário Oficial da União e entrará em vigor após a sua publicação.