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Estado de Minas

Presença humana reduz movimentação de animais, indica estudo

Cientistas usaram dados de localização por GPS de mais de 800 animais e puderam provar uma redução dos movimentos dos mamíferos em áreas com forte pegada humana


postado em 26/01/2018 06:00

Espécies podem ter o comportamento alterado: raposas passam a buscar comida em áreas dominadas pelos homens(foto: Freeimages/Reprodução)
Espécies podem ter o comportamento alterado: raposas passam a buscar comida em áreas dominadas pelos homens (foto: Freeimages/Reprodução)
 
Ao alterar paisagens inteiras, seja construindo estradas e cidades, explorando recursos naturais ou utilizando o espaço para agricultura e pecuária, o homem provoca efeitos dramáticos sobre a vida e os habitats dos animais, sustentam pesquisadores do Instituto Max Planck, em um estudo publicado na capa da revista Science desta semana. Eles usaram dados de localização por GPS de mais de 800 animais e puderam provar uma redução dos movimentos dos mamíferos em áreas com forte pegada humana. Nesses locais, o deslocamento das espécies é, em média, de metade a um terço da extensão constatada em regiões com menor presença do Homo sapiens.
 
 
“Quanto mais próximos estão o homem e sua infraestrutura, menor os habitats usados por vários tipos de animais”, diz Martin Wikelski, diretor do Instituto Max Plank para Ornitologia em Radolfzell. Essa redução dos movimentos nos animais pode ter consequências significativas para ecossistemas. Por exemplo, uma diminuição na dispersão de sementes, alterações na cadeia alimentar e encolhimento no número de animais.
 
Martin Wikelski e os colegas identificaram as causas primárias para o problema: distúrbios causados pela infraestrutura humana e fragmentação dos habitats de animais selvagens, o que limita suas movimentações. Os biólogos acreditam que animais como veado ou javali selvagem estão sujeitos a áreas cada vez menores, cercadas por construções. “Espécies como zebras, que cobrem largas distâncias na vida selvagem, não podem existir muito próximas de humanos. Restrições espaciais e fragmentação de seus hábitats levam a um decréscimo no número desses animais”, explica Kamram Safi, biólogo que participou do estudo.
 
Uma segunda razão para a restrição dos deslocamentos pode ter a ver com mudanças no comportamento dos animais causadas pela presença de humanos. Espécies como raposas são mais propensas a encontrar comida quando fazem buscas em áreas dominadas pelo homem, o que significa que a distância que precisam cobrir para se alimentar é muito menor do que seria em um ambiente selvagem.
 
Caçadas esportivas e atividades de lazer, como corrida por trilhas naturais, afetam profundamente o comportamento dos animais. A pesquisa mostrou que javalis selvagens e outras espécies ajustam seus horários de atividade para evitar os humanos. Também há evidências que sugerem que animais como a ave tetraz evitam áreas onde há elevadores de esqui e funiculares.
No estudo, os pesquisadores se concentraram em dados de mais de 800 animais terrestres de 57 espécies, nos quais foram anexados transmissores GPS. Eles, então, compararam as informações ao índice de pegadas humanas nas áreas por onde os espécimes se deslocaram. O índice mede a influência humana no ambiente.

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