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Correio Braziliense

Alta qualidade de grãos e hortifrúti do DF impressionam mercado

Área rural é forte na capital federal e tornam cidade autossustentável

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postado em 16/05/2017 12:17 / atualizado em 16/05/2017 13:26

Conhecida como capital política e de arquitetura arrojada, só falta Brasília ficar conhecida pela força do agronegócio da região. Dos 5.779 quilômetros quadrados de área do Distrito Federal, aproximadamente 3 mil são rurais — produção de hortaliças e grãos (1,55 mil km²), produção de frutas (1,33 mil km²) e campos de pastagem (1,44 mil km²). O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF, José Guilherme Leal, destacou que, em termos de eficiência, o setor apresenta a melhor produtividade em culturas como milho, sorgo, soja e feijão. “Além disso, temos um trigo com  a melhor qualidade do país, graças ao trabalho da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-DF). O resultado é uma farinha muito boa para panificação”, destacou.




O Distrito Federal tem mais de 19 mil propriedades responsáveis por 80% da criação de bens campestres. Somente em hortaliças, são produzidas 303 toneladas ao ano. A agricultura ainda é responsável por 40.666 empregos diretos e movimenta aproximadamente R$ 215 milhões. Em 2016, o valor bruto de produção do DF foi de R$ 1,4 bilhão. Se o cálculo for feito por área, o Distrito Federal fica em quarto lugar no país, atrás somente do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Crise hídrica
Os agricultores ainda precisam vencer o desafio da pouca disponibilidade de água para a produção agrícola e o consumo urbano no Centro-Oeste. A capital vivencia uma crise hídrica severa desde janeiro deste ano, além de um rodízio de abastecimento e a chegada da seca. O secretário afirmou que o racionamento chegou antes ao campo, com a alocação de água. Nas bacias do Descoberto e do Rio Preto os produtores reduziram o plantio, mas não diminuíram a produtividade. “Nossa agricultura depende muito da irrigação e, nos últimos três anos, tivemos chuvas abaixo da média. Por isso, precisamos gerenciar melhor o uso da água na agricultura para continuar produzindo”, explicou.

Por outro lado, a atividade colabora na recarga aquífera e na proteção do solo em relação à erosão. “A maior parte da recarga dos mananciais ocorre na área rural, pois o resto de todo o território é cidade.”Mas não é só. A agricultura evita o crescimento desordenado. A região leste do quadrilátero, com produção mais desenvolvida, é onde ocorrem os menores problemas de invasão e grilagem. Leal declarou que, desde a construção da capital, houve uma preocupação e um planejamento com a produção e o abastecimento da população que se deslocava para o centro do país.

Problemas
Mesmo convivendo com números invejáveis de safra e boas vendas, a tão sonhada tranquilidade do campo ainda está longe de ser realidade. A falta de infraestrutura na zona rural, como postes de iluminação, postos de saúde, escolas e delegacias, impacta no aumento da insegurança. “Com três milhões de habitantes, os problemas da cidade, como assaltos e uso de drogas, também migram para o entorno rural. Os casos têm se agravado nos últimos anos e assustado os produtores locais”, destacou Leal sobre os problemas de segurança pública na região.

Além da violência, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços (ICMS) é um dos entraves que o setor enfrenta por estar no centro da Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (Ride). O tributo é cobrado de forma diferenciada por estado, e houve aumento em 2016. O imposto é um dos que mais pesam, e incide sobre os produtos considerados essenciais, como alimentos. Para o secretário, as desigualdades tributárias são enormes.

A alocação de água é um processo de gestão empregado para disciplinar usos múltiplos em sistemas hídricos assolados por estiagens intensas, pela emergência ou por forte potencial de conflito pelo uso da água.



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