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Correio Braziliense

Produtores enfrentam dificuldades para obter crédito rural

Eles pedem seguro rural, que indeniza problemas com o clima ou a modernização dos financiamentos

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postado em 16/05/2017 12:22 / atualizado em 16/05/2017 12:29

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


“É preciso financiar a atividade do produtor de forma abrangente, da produção ao armazenamento. Ainda usamos muito pouco o crédito rural, e isso precisa mudar”, apontou Argileu Martins, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). Segundo ele, o número de contratos na agropecuária é muito maior do que na agricultura. Além disso, a quebra de safra ou de doenças que atacam criações acabam com a lucratividade dos produtores e impossibilita o pagamento do crédito rural obtido. Com a resolução desses pontos, esses pequenos produtores rurais poderiam incrementar a produção, mas, por não estarem aptos a receberem incentivos de crédito, continuam a produzir muito menos do que o necessário.


Martins garantiu que a atividade agropecuária na região é muito lucrativa e as pessoas vivem bem e ganham dinheiro. Por exemplo: de 2006 até 2017, o valor bruto da produção no país cresceu 192%. No Distrito Federal, o avanço foi de 273%. “Qual é a atividade econômica que cresce assim?”, perguntou o presidente da Emater-DF.

  

Contudo, mesmo com as comprovações de grandes safras, o produtor brasiliense enfrenta dificuldades para obter crédito, por trabalhar em uma atividade que oferece risco. Além de estar sujeita a todas as oscilações de mercado, depende das incontroláveis variações climáticas. “O agricultor precisa ter acesso a novas tecnologias e, principalmente, ao seguro rural. Precisa de um sistema de crédito voltado para o bioma da sua região, pois cada região do país tem características muito específicas”, assinalou.

Regularização fundiária

A falta de regularização de terras no Distrito Federal também impede que os agricultores consigam crédito rural, pois não podem dar o terreno como garantia real para financiamento de equipamentos e de plantio. Hoje, mais de 200 hectares precisam de regularização no DF, e tramitam cerca de 5 mil processos a respeito. Martins ainda informou que existem mais de 1,5 milhão de propriedades sem título no Brasil.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem mais de cinco milhões de estabelecimentos agrícolas e 16 milhões de pessoas empregadas no setor. Para Martins, se, por um lado, o crédito precisa se modernizar, por outro, os milhões de trabalhadores também necessitam entender a lógica do crédito. “Os agricultores devem conhecer melhor o mercado e investir em tecnologias de gestão. A Emater e várias outras instituições podem ajudar nesse processo” apontou Martins. E destacou: “O dono da fazenda precisa entender por que vai vender o litro de leite a R$ 1,00 e como isso vai impactar em seu negócio.”
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