Novas tecnologias transformam solos pobres em terras férteis e produtivas

Graças ao trabalho de empresas como Embrapa e Emater, agricultores brasileiros recebem ajuda tecnológica para aumentar a produtividade

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postado em 16/05/2017 12:28

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

 
A região rural de São Sebastião, Paranoá e Planaltina, conhecida como PAD-DF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal) tem hoje os melhores resultados agrícolas do Brasil: além da safra recorde de soja, a produtividade do trigo é o dobro da média nacional e a produção de milho cresceu mais de 100% em 20 anos. Nada mal para quem acreditava que o solo ácido do cerrado era improdutivo. “A pesquisa pública, nos últimos 40 anos, abriu caminho para uma iniciativa privada ágil, pujante e empreendedora”, afirmou Celso Moretti, chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além da produção de soja, milho e trigo, o DF tem uma produção diversificada e mão de obra qualificada. A região da Taquara tem se destacado na produção de hortaliças e já é uma das principais regiões produtoras de pimentão do Brasil. Brazlândia é o 5º produtor de morango do país. E a Vargem Bonita tem uma grande produção de folhosas. “Operadores de máquina aqui chegam a receber até R$ 3.500 de salário para operar máquinas com alta tecnologia”, contou Moretti.

Para o pesquisador, o DF tem aumentado sua participação no agronegócio graças a uma série de vantagens: a estrutura fundiária, com os núcleos rurais; as políticas públicas que foram desenvolvidas aqui desde a inauguração; a localização estratégica, no centro do país; a logística funcional; a massa crítica, composta por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), das universidades privadas e dos quatro centros de pesquisa da Embrapa; e o papel importante e estratégico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

“Em duas unidades da Embrapa no DF temos um escritório da Emater, o que mostra a importância de fazer a conexão entre pesquisa, desenvolvimento, inovação, assistência técnica e extensão rural até chegar à cadeia produtiva”, disse o técnico.
 
Modelo próprio 

Há 40 anos, era um desafio produzir alimentos no cinturão tropical do mundo. Segundo Moretti, quando a Embrapa começou o trabalho, não existia um modelo a ser copiado ou adaptado. Foi preciso criar um trabalho estruturado em pesquisa, desenvolvimento, inovação, assistência técnica e transferência de tecnologia para produzir no cinturão tropical. “O Brasil tem hoje uma produção de alimentos baseada na ciência e na tecnologia, em produtos e processos que foram desenvolvidos de Norte a Sul para aumentar a produtividade e tornar o setor mais competitivo”, afirmou Moretti.

A pesquisa ajudou a transformar solos ácidos e pobres em solos férteis, principalmente no cerrado, desenvolveu uma plataforma de produção sustentável e “tropicalizou” variedades e animais. Um exemplo de tropicalização é o trigo, cultura típica de clima temperado que hoje o Brasil produz em condições de ser autossuficiente. “A fixação biológica de nitrogênio, algo único no mundo, reduz a quantidade do elemento necessário na produção de alimentos, principalmente para a cadeia produtiva da soja e de outras leguminosas. Essa tecnologia economiza R$ 10 bilhões por ano.”

Entre os desafios que ainda temos pela frente, as mudanças demográficas são preocupantes. A população está envelhecendo e, até 2050, serão dois jovens para cada idoso. Para piorar, o jovem não quer ficar no campo. Desde 2010, a população urbana já é maior que a rural em todo o mundo. Além disso, a questão da água para o abastecimento, a produção de alimentos e a geração de energia deve ser aprimorada.  
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