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Correio Braziliense

Financiamento do agronegócio precisa ser aprimorado, diz especialista

Setor carece de inovação e novos processos de crédito para se desenvolver

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postado em 16/05/2017 12:38

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

 

Em meio à grave recessão na qual o país está mergulhado, o agronegócio surpreende ao conseguir quebrar recordes de produção e manter a geração de empregos. Entretanto, os produtores ainda esbarram em vários entraves, como as linhas de crédito, que não se enquadram na realidade do campo. Para o ex-ministro da agricultura e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, o atual sistema de crédito carece de aprimoramento. O setor passa por um momento que precisa reduzir os riscos no campo, que hoje é de 30%. “Podemos resolver com um seguro rural adequado e linhas de crédito específicas. O produtor vive aos trancos e barrancos, com medo das mudanças climáticas. O crédito rural é um instrumento de alavanca que pode ajudar”, disse.


No entender dele, o financiamento não pode ser para um tipo de cultura e, sim, para a atividade ou um projeto rural. “O crédito deve ser orientado ou dirigido para ser efetivo”, afirmou. A política de crédito agrícola funciona por meio de subsídios e mostra como se desperdiça dinheiro no país sem resultado. E o seguro rural quase inexiste. “O seguro rural foi criado em 2003 e, hoje, nem 10% da agricultura tem esse recurso”, destacou.


O Brasil evoluiu muito em políticas públicas econômicas e, para Paolinelli, a agricultura tropical do país foi a primeira a dar certo no mundo e ter recordes de produtividade. “Em 1948, Nelson Rockefeller entendia que o país precisava desenvolver alimentos, pois pagava muito caro. Por isso, criou os centros de assistência técnica e extensão rural, que foram uma revolução no campo. Porém, o investimento ocorreu com uma grande objetividade entre o pouco recurso e o que queríamos”, relembrou, ao verificar que falta um alinhamento entre as políticas de crédito e a diversidade de produção no campo.


Paolinelli também lembrou que o economista Roberto Campos, durante o governo de Castello Branco, em1960, formulou na economia brasileira os primeiros recursos a custo mais baixo para a agricultura e a pecuária. As ações de financiamento do campo serviram para baixar os preços dos alimentos no período. “Entre 1960 e 1979, o brasileiro gastava de 42% a 48% de sua renda para se alimentar. Quem consome isso da renda, não tem dinheiro para educação, saúde e moradia, transporte ou lazer”, conta.


Economia

O ex-ministrou criticou as medidas de congelamento dos gastos públicos do atual governo, sob o argumento de se fazer ajuste fiscal. “Agricultura não se desenvolve sem ciência, sem tecnologia, sem inovação. É preciso investimento, impedir o aumento dos gastos públicos é um grande erro”, frisou.

Paolinelli ressaltou ainda que, com a delicada situação da economia, o país não tem o dinheiro necessário para fazer o seguro rural como existia. “Hoje, o ministério da Agricultura deve ter pouco mais de R$ 1 bilhão para investir em todo o setor, e não existe verba para o seguro”, finalizou.

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