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Correio Braziliense

Nem 80% da população nacional tem acesso ao saneamento básico

Especialista diz que há pouca atenção ao setor e que essa é uma das maiores incógnitas das políticas públicas brasileiras

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Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

A qualidade da gestão do saneamento básico é uma das maiores incógnitas das políticas públicas no país. “Temos que ver se o que está faltando são recursos financeiros, gestão, capacidade administrativa, excesso de controles ou falta de expertise”, disse o diretor financeiro da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Marcelo Teixeira. Para ele, há pouca atenção ao setor, pois ainda estamos longe de atender 80% da população.

 

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“E o que está faltando para que isso ocorra, e a gente apresente resultados no 8º Fórum Mundial da Água?”, questionou Teixeira, sugerindo que se busquem respostas para a efetividade do Plano Nacional de Saneamento Básico (PNSB). “Mesmo as unidades de tratamento em  operação no país não conseguem alcançar as expectativas ambientais e de saúde pública projetadas no plano.”

Teixeira apresentou um histórico sobre a questão do saneamento básico no mundo, enfatizando a importância de implantação no país de sistemas ambientais e processos de saúde pública eficazes. “A história da epidemia de cólera que ocorreu em Londres em 1854 foi um dos casos mais emblemáticos da relação entre saneamento versus saúde”, disse. “Milhares de mortos em 10 dias. Na época, Londres já era uma megalópole com 5 milhões de pessoas. Um padre, um médico e um engenheiro se uniram para compreender que a água também era um veículo transmissor de doenças e tentaram apresentar soluções para o problema.”

 

História 

 

Ele ainda destacou que o Brasil de 1861 era totalmente insalubre. “No Rio de Janeiro, as excretas eram jogadas no mar, ou no meio da rua, pela janela. Foi quando se cunhou o termo ‘sai de baixo!’. Nesse período, tínhamos um mau cheiro terrível pelas ruas”, assinalou. O especialista ainda recordou o ano de 1979, quando a manchete do Correio Braziliense foi “Brasília fede”. “A poluição do Lago Paranoá foi o maior desastre ambiental da cidade, pois o lago não aguentou o crescimento populacional e se tornou uma grande sopa verde de algas com cheiro ruim. Na década de 1990, conseguimos transformá-lo em uma área de lazer. Foi o primeiro lago tropical do mundo a sofrer uma intervenção dessa natureza e a se recuperar com tanta rapidez. Esse é um exemplo de sucesso da cidade”, relembrou.

Sobre a qualidade da água em Brasília, Teixeira garantiu: “A população pode beber água que sai da torneira à vontade.”Mas ressalvou: “Desde que faça a manutenção da tubulação e da caixa- d’água de sua residência.” A limpeza do reservatório caseiro deve ser feita de seis em seis meses. O devido cuidado é necessário para não comprometer a qualidade da água que chega até as residências. Isso porque, quando ela sai de um dos 300 pontos de distribuição da companhia, já está pronta para o consumo humano.

A população é capaz de alterar as condições e serviços de saneamento. Quando moradores fazem um gato e roubam água da companhia, desequilibram o sistema. Se jogam lixo na rua, as galerias de água pluvial ficam entupidas e o sistema é novamente alterado. “Por isso, a sociedade tem muita força. A única saída para isso é a educação ambiental,” concluiu Teixeira.

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