Para Rollemberg, ano que vem será marcado por austeridade nos gastos públicos

Áreas críticas, como a Saúde, receberão mais recursos

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postado em 26/12/2017 06:00 / atualizado em 25/12/2017 21:53

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Para o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, um dos grandes desafios de 2018 será o resgate da política como instrumento de solução de conflitos e problemas. Isso deve complementar um esforço em busca da austeridade no setor público, “uma agenda de equilíbrio fiscal, que é do interesse de todos”, salienta. 


Rollemberg reconhece a mudança positiva no cenário econômico do país, ressalvando, porém, as agruras ainda enfrentadas por alguns governadores, muitos em situação delicada e sem poder cumprir compromissos de fim de ano. “Não podemos tratar da economia nacional sem tratar da economia dos estados”, destaca. Por isso mesmo, defende que o setor público terá de avançar nos compromissos com a política fiscal no ano que vem.

Ele afirma que o DF tem conseguido manter uma situação fiscal mais favorável, depois de passar por dificuldades mais sérias no início de seu governo, com o enfrentamento de “desgastes político e pessoal”, já superados. “Recebemos o governo com um buraco de R$ 6,5 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões em dívidas, sendo cerca de R$ 600 milhões só na Saúde”, lembra. 

Mas, agora, a casa está em ordem, com salários em dia, pagamento de 13º salário e de fornecedores, e recuperando a capacidade de investimentos, “com mais de R$ 1 bilhão já investidos”. A previsão para o próximo ano é de que o GDF possa contar com mais de R$ 1,5 bilhão para direcionar a áreas críticas, como as que mais precisam da presença do Estado. 

A área da saúde está entre as prioritárias para o ano que vem. Na programação, está a mudança na gestão do Hospital de Base, inauguração do Hospital da Criança e a ampliação do Programa Saúde da Família. “Apesar de todas as dificuldades financeiras, soubemos priorizar a utilização dos recursos de investimentos”, declara.

Somando-se os três anos de governo, o GDF já investiu cerca de R$ 2,5 bilhões. “Brasília vai ser uma cidade equilibrada do ponto de vista econômico e com todos os serviços públicos funcionando”, continuou Rollemberg.

Mas o governador frisa que um dos grandes desafios do GDF é conter os gastos com servidores. “Se contabilizarmos todo o orçamento, incluindo a parte composta pelo fundo constitucional do Distrito Federal, estamos com 77% das receitas comprometidas com folha de pagamento. É como se estivéssemos utilizando 77% de todo o orçamento para 7% da população”, explica.


Sinergia


A solução de conflitos na agenda para 2018, proposta por Rollemberg, segue na mesma linha da estratégia adotada por seu governo, de buscar relevar disputas entre os estados para acerto de questões com interesses comuns. “Buscamos sinergia que fizesse com que os estados atuassem, politicamente, para promover o desenvolvimento de toda a região. Tudo isso em função da política, da capacidade de construir uma agenda política acima das diferenças partidárias”, diz.

“Foi essa capacidade de construir sinergia que permitiu estarmos, hoje, em uma situação muito melhor do que quando iniciamos em 2015”, enfatiza. A agenda comum permitiu aos estados obterem conquistas relevantes, como a aprovação da regulamentação do comércio eletrônico, além de alterar algumas das condições para renegociação das dívidas  junto à União.

O governador cita ainda outras conquistas. “Conseguimos também usar depósitos judiciais públicos para pagamento de precatórios, além de negociar com o governo federal e lograr a divisão dos recursos da repatriação de capitais para certo alívio de vários caixas estaduais”, explica. “E todo um conjunto de ações em que governadores de diversos partidos tiveram a oportunidade de construir essa agenda.”

Sem perder o foco fiscal, Rollemberg defende a conjugação de esforços que associem os interesses nacional e regional. “Não podemos perder a oportunidade, em 2018, de fazer um amplo debate sobre o papel das assembleias legislativas, do Congresso, sobre o perfil adequado para o gasto público e para presidente da República”, diz. “O Brasil precisa de líderes equilibrados, para se evitar os extremos, porque o país não aguenta mais nenhuma aventura.” 

“Num momento como esse, de um debate de alta qualidade, esperamos que 2018 seja um ano promissor. Tenho confiança de que vai ser alvissareiro, de muita esperança e muita prosperidade”, conclui.

O Brasil precisa melhorar a qualidade da Educação para aumentar a produtividade da economia, dando sustentação à competitividade, mola mestra do crescimento. Relegada por mentores e executores de políticas e inúmeros planos baixados no país, a qualidade da mão de obra é um dos braços da ampla questão estrutural, necessária para a melhoria do ambiente de negócios, queno entender de empresários, é infernal e não pode mais ficar em segundo plano.

“A questão da mão de obra, não há dúvida, é um grande gargalo em que o país precisa avançar para ampliar a produtividade”, afirma Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. “Nessa impaciência dos jovens, eles têm razão, têm que correr. Quando a gente olha a estrutura da pirâmide etária do país, a gente está no número máximo de jovens na economia. A partir de 2022, começa a cair esse número. A gente tem que cuidar desse pessoal”, diz ela, acrescentando que em torno de 20% deles são “nem-nem-nem”: “Nem trabalham, nem estudam, nem querem nada com a vida. São frutos de um sistema educacional falido”, analisa.

Matemática


Assim como outros especialistas, Zeina considera que o Brasil não gasta pouco com a Educação (em 2016, foram 5,2% do Produto Interno Bruto, PIB). Mas gasta mal, por um problema de direcionamento, de alocação, “e de qualidade do gasto”. Cerca de 60% dos recursos vão para as universidades públicas, beneficiando a classe média, “grosso modo a elite, quem não precisa”. “O que não é nem-nem-nem, não sabe matemática e é analfabeto funcional. Apenas 9% dos jovens ingressam no ensino médio sabendo o que deveriam em matemática. E é esse pessoal que vai segurar o piano lá na frente. Por isso, a gente tem que correr com essa agenda”, alerta.

Vice-reitora do Iesb, Eda Coutinho indaga o porquê de a variável da Educação nunca ter ganhado importância estratégica, em termos macroeconômicos. “As reformas estruturais ajudarão, mas continuaremos como um país com dificuldades de competir no mercado internacional”, diz.

O volume de recursos destinado à melhoria do ensino teve um salto com a Constituição. “Mas, por alguma razão histórica que não sei bem identificar, o Brasil nunca valorizou muito a Educação. Essa agenda nunca foi muito forte”, frisa Zeina. 

Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, também vê o problema da Educação mais como de alocação do que de falta de dinheiro. “Talvez com mais recursos para o ensino médio e o técnico, o país possa melhorar a qualificação e aumentar a produtividade da economia a médio e a longo prazos”, afirma.


Exemplo


Seminário recentemente realizado pelo Correio sobre casos exitosos em Educação em Pernambuco, Goiás, Ceará e Distrito Federal mostrou que as principais personagens da evasão escolar no ensino médio são as meninas entre 15 e 17 anos, cujo histórico é o de repetir a vida das mães e das avós. E que é sempre a mulher quem perpetua a pobreza.

Há estudos acadêmicos apontando que a evasão escolar brasileira é elevada. Segundo Zeina, tais pesquisas indicam que a evasão está associada, no caso das meninas, à gravidez precoce, e, nos dos rapazes, à violência. “Importante documentar casos de sucesso para que possam ser replicados pelo país”, recomenda.


  • Infância relegada

    A Alemanha, os Estados Unidos e os paises asiáticos investem em educação antes mesmo de as crianças nascerem. No Brasil, não há essa preocupação por parte dos governantes. Os países que investiram mais em educação têm resultado muito melhor no desenvolvimento econômico. O investimento em educação precisa ocorrer desde a primeira infância. Segundo os especialistas, trata-se de um movimento estratégico investir nas criança desde pequenas, pois dois terços da inteligência estão desenvolvidos aos seis anos e meio. A Coreia do Sul investiu maciçamente em educação e conseguiu fazer grandes transformações. No Brasil, boa parte dos jovens nem trabalham nem estudam, porque não estão preparados para o mercado de trabalho e não têm dinheiro para pagar a faculdade.
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