Desafios 2018

Marconi Perillo explica como é possível reduzir gastos e aumentar eficiência dos serviços

O governador de Goiás destaca também que os esforços do país nessa linha precisam ser maiores, o que não combina com populismo

Marconi Perillo, governador de Goiás: "É possível quebrar um ciclo nefasto e ter de volta um ciclo virtuoso na economia"

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), diz que quer continuar enxugando as contas de seu estado, de forma a sobrar mais dinheiro para modernizar a Educação. Ele ressalta que, este ano, fechará o caixa com deficit de R$ 1,96 bilhão, basicamente, por culpa da falta de reforma da Previdência.


“Estou cansado de aposentar funcionário com 47, 49 anos, ganhando R$ 30 mil por mês. É culpa minha? Não, a legislação é federal, recebo de cima para baixo, e tem que cumprir”, destaca o governador. Ele diz ser o autor da proposta de fechamento de questão do PSDB em torno da aprovação da reforma da Previdência, porque, em seu próprio partido “há populistas, que não estão pensando no país, estão pensando nos votos”.

O governador goiano assinala a importância de reduzir o tamanho do Estado, citando o caso de Goiás, onde o setor de Saúde foi reformulado e até terceirizado. “Temos, agora, hospitais melhores que os da rede privada. Isso, depois de enfrentar corporações, de quebrar paradigmas. Todo mundo fala que Saúde não tem jeito. Em Goiás, teve jeito. Estamos colhendo os melhores frutos. Estou tentando levar esse modelo para a Educação”, diz.

Para Perillo, com a redução da burocracia e a criação do serviço Vapt-Vupt, uma espécie de poupa-tempo, o prazo de fechamento de empresas goianas caiu para cerca de oito horas. “Sem sair do carro, o contribuinte resolve seus problemas”, garante.

Insistindo na questão do ajuste fiscal, Perillo afirma ser favorável à redução do número de deputados e senadores. “Temos que diminuir o tamanho do Estado para valer, terceirizar, concessionar, para que o dinheiro sirva bem ao povo, com qualidade”, frisa. Para ele, quem for eleito para comandar o Brasil a partir de 2019 terá de focar na responsabilidade fiscal.

Direito adquirido


Perillo reitera ser vital para a próxima gestão garantir a efetividade das reformas. “Os estados vão quebrar, ou já quebraram, sem a reforma da Previdência”, alerta. No caso de Goiás, ele enfatiza que, depois de anos no azul, o saldo será deficitário. “E não adianta uma reforma da Previdência meia-sola, tímida. Talvez seja necessário uma reforma para quem vai entrar no serviço público, que não pode alegar direito adquirido, não tem aposentadoria especial. A proposta atual não pode ser parâmetro para quem vai chegar daqui para a frente, sob pena de que, daqui a cinco, seis anos, fique ainda pior.”

No entender do governador, o grande desafio para o próximo ano será “escaparmos das armadilhas do populismo de direita e do populismo de esquerda”. “Não acredito na possibilidade de que um populista venha a ganhar as eleições brasileiras. Sou mais otimista.  Afinal de contas, o populismo de esquerda quase arrasou a América Latina”, afirma.

Segundo Perillo, o povo brasileiro terá que ter a competência de apresentar um projeto para o país, um projeto competente, responsável, bem estruturado, ousado, agressivo, mas que seja algo realizável. Que garanta a transição de um ciclo populista irresponsável do ponto de vista fiscal, do ponto de vista de gestão, para um ciclo virtuoso ancorado em bons exemplos, na boa gestão e na eficiência.

“Eficiente em acordos por resultados, para que possamos chegar adiante, com o país crescendo em produtividade e sendo competitivo com os Brics (grupo de países em desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) e outros países”, diz.

Nessa direção, ele diz não poder deixar de reconhecer que “o governo Temer avançou nas reformas, paralisadas desde o governo Fernando Henrique Cardoso. E avançou também em relação aos indicadores macroeconômicos. Com a queda da inflação, os empregos voltaram a surgir. No Brasil, de janeiro a outubro, foram criados 306 mil empregos líquidos, sendo 46 mil de saldo positivo em Goiás.


Profissionalismo


Na avaliação do governador, o Produto Interno Bruto (PIB) começa a esboçar um crescimento, ainda tímido, fruto de uma gestão responsável do ponto de vista fiscal, da eficiência e do profissionalismo da gestão.

Não por acaso, ele elogia a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, o goiano de Anápolis Henrique Meirelles. “A Petrobras teve uma mudança visível. A Eletrobras estava quase quebrada. Em pouco tempo, foi possível mostrar ao Brasil que é possível interromper um ciclo nefasto e ter de volta um círculo virtuoso para a economia e para os brasileiros.”

Problemas antigos

Thaís Zara: "Temos o claro fortalecimento da atividade econômica, mas sem pressões inflacionárias"

A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, considera que o grande ponto de interrogação no Brasil não é 2018, mas 2019. Para a especialista, a questão é saber se a reforma da Previdência será aprovada ou não. Todos os cenários contam com essa aprovação para reduzir o deficit público. Se isso não ocorrer, “2019 será uma grande incógnita, com governo novo e graves problemas antigos”. 

Zara projeta um cenário básico sem e com a aprovação da reforma da Previdência em fevereiro do ano que vem, como está posto pelo governo. No entender dela, o Brasil pode levar de quatro a cinco anos para recuperar o Produto Interno Bruto (PIB) per capita perdido durante a recessão.

Independentemente de quem seja o futuro governante do país que sairá das urnas no ano que vem, Zara acredita que o escolhido pela população terá, necessariamente, de fazer a reforma da Previdência em 2019 e manter a agenda de controle fiscal.  Mas as eleições, depois do grande evento do ano que será a Copa do Mundo, farão com que 2018 “fique bem complicado”, acredita.  
Direção

Segundo a economista, “a grande dúvida que fica é se nós vamos conseguir ser aquele país do futuro, que sempre buscamos e o futuro nunca chega”. Zara considera que teve início um círculo virtuoso desde o impeachment de Dilma Rousseff em agosto de 2016, com a mudança de direção na política econômica, a austeridade fiscal, a perseguição da meta de inflação e a manutenção do câmbio flutuante. “Temos o claro fortalecimento da atividade econômica, mas sem pressões inflacionárias. Porque ainda há uma capacidade ociosa grande, efeitos secundários da queda dos preços dos alimentos e, pela primeira vez, um efeito benigno da inércia inflacionária”, destaca. Ou seja, como o custo de vida caiu, todos os preços que são reajustados pela inflação passada (aluguel, escolas) terão, também, reajustes menores no ano que vem.

Há uma parcela da recuperação econômica encaminhada, diz ela. Uma parte da agenda de modernização do país já está em curso, como a reforma trabalhista. Mas, como fazer o pulo para crescer mais, e de forma consistente, para ter um PIB potencial maior? “Ainda é um enigma se o governo conseguirá reduzir a diferença entre as receitas e as despesas, em termos percentuais do PIB”, comenta.