CNC prevê abertura de lojas no 4º trimestre de 2017

Confederação estima que o Natal de 2017, o melhor em cinco anos, gerou 74.100 postos de trabalho temporários, 10% a mais do que o de 2016

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postado em 26/12/2017 06:00 / atualizado em 25/12/2017 23:06

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

O aumento do consumo, que impulsionou a recuperação da economia em 2017, recuperou o otimismo dos comerciantes, que retomaram os planos de abertura de lojas neste fim de ano. Dados inéditos apresentados pelo chefe interino da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, mostram que o resultado entre a abertura e o fechamento de pontos de venda ainda estava negativo em 1.043 lojas no terceiro  trimestre de 2017. O dado é substancialmente melhor do que o verificado no mesmo período de 2016, de encerramento de 22.904 negócios.


“Não precisa fazer muita conta para acreditar que, no quarto trimestre, vamos começar a ver uma volta do investimento no varejo. No início do ano que vem, já esperamos uma abertura mais contundente de lojas no comércio varejista”, afirma Bentes.

Segundo as projeções da CNC, o Natal deste ano reforçam a melhora da percepção da economia pelos comerciantes. “Outro termômetro muito importante de como o varejista percebe essa recuperação são as próprias datas comemorativas. Tivemos o melhor Natal em cinco anos, com o maior crescimento das vendas. Temos uma expectativa de alta de 5,2%”, prevê. A confederação estima que, neste fim de ano, o comércio gerou 74.100 postos de trabalho temporário, um aumento de 10% ante o mesmo período de 2016.

Tração


“A economia está reagindo. É inegável, a partir dos dados públicos disponíveis. Independentemente da forma como nós identifiquemos essa reativação, já percebemos resultados positivos a partir do primeiro trimestre deste ano. A economia ganhou tração, especialmente a partir do segundo trimestre”, diz.

A CNC tem expectativa de o varejo encerrar 2017 com expansão de 3,7%. Contudo, o setor ainda está distante de se recuperar dos prejuízos acumulados nos três anos anteriores à crise. Em 2014, a queda nas vendas foi de 1,7%; em 2015, de 8,6% e, em 2016, de 8,7%. “O que o varejo vendia no fim de 2016 correspondia a, aproximadamente, 80% daquilo que ele comercializava antes da crise. As três taxas negativas apresentadas acumulam uma queda de cerca de 20% de receita real do comércio no varejo”, calcula.

Natal


A boa notícia é que, embora a realidade esperada para o comércio em 2017 e 2018 ainda esteja distante do período pré-crise, ela vem acompanhada de um indicador positivo para o crescimento sustentado: “A inflação vai fechar o ano na casa de 3%, um cenário bom para 2017. Não deve ser muito diferente em 2018”, aponta o economista.

Os preços administrados pelo governo, contudo, ainda indicam cautela na análise e podem continuar freando as vendas em setores específicos. “No caso de combustíveis e lubrificantes, temos uma nova política de preços da Petrobras, o reajuste de erros cometidos no passado. De certa forma, o segmento, que seria um bom termômetro dessa retomada do consumo, ainda padece. As vendas encolhem 3%”, lembra.

Mesmo assim, a CNC estima que o comércio varejista crescerá entre 4,5% e 5% em 2018. “As empresas ainda apresentam um elevado grau de cautela em relação aos investimentos, mas acredito que, de qualquer forma, o cenário sobre o qual o varejo e o setor de serviços vão construir um novo ciclo de crescimento é mais saudável do que aquele que nós vínhamos observando há três ou quatro anos”, analisa Bentes.


Depoimentos

Ruy Coutinho, presidente da consultoria Latin Link
“É uma grande iniciativa do Correio debater esses assuntos econômicos, que estão muito atuais, principalmente o cenário para 2018. Os técnicos e economistas do setor privado fizeram uma análise muito realista do que está acontecendo e das perspectivas para o ano que vem. Eu espero que 2018 seja uma continuidade de 2017, com os fundamentos da economia funcionando bem. Agora, temos uma incógnita, que é ser um ano eleitoral, mas não acredito em visões radicais. Acho que vamos seguir pautando a linha de recuperação econômica e de equilíbrio fiscal.”


Alberto Queiroz, sócio da Studio Que
“Como trabalho com consultoria em comunicação e gestão de empresas, o seminário foi uma oportunidade de obter informações diretamente com as fontes. Estamos antenados com as projeções para 2018, uma vez que este cenário brasileiro é turbulento. O que mais despertou o meu interesse é que, nesse evento, tivemos acesso à análise de economistas do mercado. O que chamou a atenção é que, quando você fala de economia, há possibilidade de opiniões distintas, mas houve convergência entre os participantes. Eles seguiram a mesma linha e a leitura dos dados apresentados, clareando o cenário para 2018.”

Recuperação das perdas vai demorar


As bases para o crescimento do país em 2018 já estão consolidadas, mas o varejo poderá levar até cinco anos para recuperar as perdas dos anos de crise. A avaliação é do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, que participou do seminário Correio Debate: Desafios para 2018.

“A tendência é de crescimento. Isso é animador. O nível de emprego, de confiança do consumidor, da própria confiança dos empresários: tudo isso será restabelecido, esperamos. Estou confiante”, diz Santana, ponderando que o processo de recuperação será longo. “Todos os analistas e os palestrantes reafirmaram isso. Vamos demorar ainda de quatro a cinco anos para voltarmos a patamares de 2013”, estima.

Para Santana, não há dúvidas de que o país já está saindo do período recessivo longo e pesado. “Mas, ainda que tenhamos crescimento em 2017, já anunciado em torno de 1%, e perspectiva para 2018 de até 3%, essa evolução é sobre o patamar horrível dos anos recessivos e estaremos em níveis inferiores a 2012 e 2013”, pondera.

O dirigente afirma que as reformas econômicas são importantes para o desenvolvimento do país e o retorno dos investimentos. Ele está confiante de que o governo conseguirá aprovar mudanças no regime previdenciário no ano que vem. “É importante avançarmos nessa questão das reformas e que o mercado internacional acredite que vamos fazê-las, para que haja recursos externos”, ressalta. “A nossa poupança interna é muito baixa. O nosso desenvolvimento carece de investimentos internacionais e, para isso, os investidores têm de ter confiança no país. Essa confiança no Brasil será buscada se nós, efetivamente, incrementarmos as reformas.”

O presidente da Fecomércio-DF considera que já há um crescente esclarecimento da população quanto à necessidade da reforma da Previdência, que, para ele, deveria ter sido feita no Brasil na década de 1990. Na opinião de Santana, haverá de fato mais chances de aprovação em fevereiro. “Certamente que, com o retardamento que aconteceu, os próprios parlamentares, ao voltarem às suas bases, discutirão com seus eleitores e vão verificar que o índice de resistência hoje é muito mais baixo”, crava. “Já há uma certa conscientização da necessidade de fazê-la. Então,  tenho a crença de que a reforma acontecerá no retorno dos parlamentares.”

De acordo com ele, depois das mudanças na Previdência, virá a reforma tributária, além de outras pequenas setoriais, mas o crescimento do país em 2018 está assegurado, independentemente do encaminhamento ou não dessa agenda. A incógnita é 2019: “O grande risco é o debate eleitoral, quem será o próximo presidente e se, efetivamente, vai ter credibilidade nos mundos político e econômico para dar prosseguimento às reformas”.
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