Expansão econômica precisa ser puxada por investimentos do setor privado, diz CNI

"Primeiro é preciso tirar do ar certas incertezas", defende o gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco

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postado em 26/12/2017 06:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Três anos depois de uma brutal recessão, o Produto Interno Bruto (PIB) industrial deve subir 0,2% este ano e crescer 3% em 2018, projeta o gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Para ele, a reação do consumo foi crucial para puxar a alavanca da atividade econômica este ano e tirar o setor de três anos seguidos de retração, “infelizmente sem a companhia da construção civil”.


“Porém, o consumo não pode ser o motor do novo ciclo de crescimento. As bases para a retomada não devem estar na reativação simples do consumo, mas, sim, na criação de condições para o investimento privado e o aumento da produtividade”, afirma Castelo Branco. O consumo expandiu com a combinação de inflação e juros em queda, ambiente externo favorável, mais emprego e renda e recuo na dívidas das famílias.

Para garantir o investimento, defende o especialista, “primeiro é preciso tirar do ar certas incertezas”. “E aí, o lado fiscal preocupa”, diz. “As reformas, como a da Previdência, são imperiosas. Podem não ser suficientes, mas algo tem que se feito já, é urgente”, destaca Castelo Branco.

O economista chama a atenção para a medida do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o pagamento de reajuste dos servidores públicos no ano que vem, com gastos de mais de R$ 4,4 bilhões. “O setor privado não teve aumento salarial nesses anos de crise e os trabalhadores perderam emprego. O servidor manteve o emprego e ainda teve elevação de salário. Ele pode e deve contribuir mais”, alerta.

O gerente da CNI destaca a necessidade de manutenção do bom desempenho macroeconômico atual, “e, com ele, a garantia de um ambiente de negócios, com segurança jurídica”. O excesso de burocracia, que encarece o custo Brasil, tem que ter sua flexibilização na agenda microeconômica. “Atrasar o licenciamento de um empreendimento significa custo, prejudica a rentabilidade”, frisa.

“Se o investimento privado deve ser a alavanca, a mola do crescimento, pela ausência absoluta de recursos do setor público, é preciso criar condições para que ele tenha atratividade e lucratividade”, afirma. O especialista ressalta que o ambiente de queda do juro pode canalizar a poupança interna para o setor produtivo.

“O Brasil cresceu, na década passada, mais do que a média dos países desenvolvidos, porque a produtividade aumentou. As empresas buscaram mais eficiência”, lembra Castelo Branco, ressaltando que faltou continuidade. Somente com a crise recente, as empresas retomaram os ajustes. Na opinião dele, o aumento da produtividade é a única forma sustentável de garantir o crescimento da renda per capita para as gerações futuras. É o verdadeiro passe para o desenvolvimento. As nações asiáticas mostraram isso. Para ele, o investimento ajuda no ganho de produtividade, porque traz inovação tecnológica.

Outro ponto destacado pelo gerente da CNI é que a indústria precisa voltar a ser, também, um fator determinante para o crescimento da economia brasileira. “A recessão no setor industrial fez a taxa de crescimento da economia despencar”, assinala. “Os períodos em que o Brasil cresceu mais foram justamente aqueles em que a indústria liderou a expansão da atividade econômica. Temos que ter um parque industrial forte, inovador, e com capacidade de colocar seus produtos no exterior”, defende.


  • Competitividade

    A indústria perdeu competitividade nos últimos anos porque seus custos subiram mais do que a produtividade, de acordo com o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. “A indústria é fundamental para ajudar o país a ter, de volta, um bom ritmo de crescimento. Mas, para isso, é necessária a recuperação da produtividade, sobretudo do capital humano”, avalia.
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