FHC apoia uso de tecnologia para combater consumo de drogas

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC) é conhecido pela luta em prol da descriminalização das drogas

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postado em 10/05/2017 15:58 / atualizado em 10/05/2017 16:15

Minervino Junior/CB/D.A Press

  
“As novas tecnologias no combate ao uso abusivo de substâncias tóxicas podem ajudar com eficiência a população por meio de parceria entre o Estado e o setor privado”, afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Precisamos continuar avançando nesse processo de modernização, o Estado e a sociedade ao mesmo tempo. O que vemos é a implantação de uma política pública baseada nos avanços tecnológicos que asseguram a saúde e a segurança à população", disse.
 
 

Conhecido pelo posicionamento a favor da descriminalização das drogas, FHC justificou o apoio à obrigatoriedade do exame toxicológico para caminhoneiros. Em sua segunda participação na discussão  — a primeira foi no Rio de Janeiro, há pouco mais de seis meses  — ele garantiu que sua atitude não é contraditória, pois é preciso combater e regular de maneira efetiva a questão das drogas no país. “De lá para cá, os progressos foram significativos. Hoje, os resultados mostram que trata-se de um processo em marcha”, relembrou. 

Bárbara Cabral/Esp.CB/D.A Press
O ex-presidente lembrou que, durante seu mandato, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, insistiu para que o Brasil entrasse na guera contra os cartéis colombianos, o que não era prioridade do Brasil na época. Mesmo assim, ele ajudou a criar uma Comissão Latino-americana para estudar as políticas de drogas. Nesse período, Álvaro Uribe era presidente da Colômbia e, apesar de o país ter uma das legislações mais duras no combate às drogas, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou um estudo que mostrava que a oferta de drogas na Colômbia não havia diminuído. A área produzida, sim. “Os traficantes melhoraram a produtividade e a oferta não caiu. Apesar de matar, prender e desapropriar, o negócio é tão lucrativo que para cada um que morre, vêm dois pra substituir”, explicou FHC. 

Sem proibição

Ele acredita que o motivo é o foco equivocado. “Em vez de combater o uso, estão combatendo a produção. Enquanto houver uso, a regra do mercado impera e o lucro vai ser muito grande. Assim, sempre vai ter quem queira produzir”, justificou. Para ele, deveria ser feito com as drogas o mesmo que ocorreu com o cigarro: regulação, controle e educação. Sem proibição. "Proibir não resolve. A droga no país é livre, na mão do traficante. O acesso é fácil. Não há incoerência em defender políticas diferentes quanto às drogas”, afirmou o ex-presidente. 

No entender dele, o exame toxicológico faz parte do processo da luta inteligente contra o uso de drogas. “O uso de novas tecnologias está mostrando que temos que nos adaptar a essa nova realidade. Por razões de segurança e de saúde pública”, disse Fernando Henrique. “Não sou incoerente ao pregar uma mudança no enfoque da luta contra as drogas. Temos que entender o problema e buscar a solução que seja desejável para a maioria. Temos que transformar aquilo que é necessário em possível”, concluiu.
 

Minervino Junior/CB/D.A Press

"Melhor resultado são as vidas salvas" 

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, comemorou os resultados positivos de um ano da implementação do teste toxicológico. Contudo, ressaltou a responsabilidade do Estado de tentar descobrir novas ferramentas para aprimorar, cada vez mais, a segurança no trânsito. “O melhor resultado são as vidas preservadas. É isso que nos leva a buscar novas soluções para preservar vidas no trânsito”, disse. E completou: “A educação no trânsito não é uma função só do Estado. É também das famílias, das escolas, é uma compreensão coletiva”. 
 
 
 
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Araújo afirmou que “somos um país de muitos contrastes”. Ao mesmo tempo que não temos o nível de saneamento condizente com a posição que ocupamos na economia mundial, somos um país que apura os resultados de uma eleição presidencial em poucas horas. “E nós somos, em termos de administração pública, um país moderno. Como no exemplo dos exames toxicológicos, o poder público deve incentivar a iniciativa privada a trabalhar em prol das políticas públicas necessárias”, afirmou.

Para o ministro, os números apresentados no balanço de um ano da obrigatoriedade do exame toxicológico são importantíssimos. “Não são só 14 mil condutores que foram pegos no resultado positivo ao longo desse ano. Os números mais relevantes são os dos que deixaram de renovar suas carteiras. É onde se vê o impacto da tecnologia na segurança do trânsito, no orçamento brasileiro e na saúde pública”, justificou. 

O ministro comparou a resistência inicial ao teste toxicológico com a obrigatoriedade de uso do cinto de segurança e a necessidade de trafegar com faróis acesos nas rodovias federais. “Toda novidade gera uma certa resistência. Mas quando os resultados mostram que as mudanças são importantes para a sociedade, os novos hábitos são incorporados com naturalidade na vida coletiva”, destacou.

Mais que os números que foram divulgados no balanço de um ano de obrigatoriedade do teste toxicológico, Araújo acredita que o motivo de comemoração é a decisão acertada do Estado de usar a nova tecnologia para garantir um trânsito mais seguro. 
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