Empreendedor tem de mirar comércio exterior, diz presidente da ApexBrasil

Presidente da ApexBrasil acredita ser necessário romper com a cultura de focar prioritariamente o mercado interno

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postado em 28/11/2017 06:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) trabalha na geração de mecanismos que ajudem empresas de pequeno porte a elevar o volume de vendas para outros países. Na semana passada, por exemplo, foi lançado o Programa de Internacionalização de Startups, em apoio a incubadoras de diversas áreas. As primeiras empresas iniciantes serão levadas a conhecer ecossistemas de inovação em Paris, no mês que vem, e depois em Berlim, Lisboa e Miami.

“Estamos traçando um caminho para que as micro e pequenas empresas se sintam mais efetivamente engajadas” nos processos do comércio exterior, diz o embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da ApexBrasil.

Durante o Correio Debate: Pequenas e Médias Empresas — O Caminho para a Exportação, patrocinado pela ApexBrasil, Jaguaribe ressaltou ser necessário romper com a cultura do empreendedor brasileiro, voltado para o enorme mercado interno e desacostumado a ter “um olhar para fora”.

O embaixador destaca o crescente potencial do comércio eletrônico e informa que a entidade vem ampliando o programa de internacionalização, que tem foco no fomento da participação dos pequenos negócios no comércio internacional.

As pequenas empresas, que são 98% das companhias nacionais, têm tentado quebrar essa barreira ampliando, cada vez mais, a participação no total das exportadoras. O embaixador afirma que, há algumas décadas, o Brasil figura entre as 10 economias mundiais, mas patina em torno do 25º lugar nos negócios internacionais. No ano passado, das 22 mil exportadoras, as pequenas representavam 80%. Mas essas 17 mil registraram vendas externas de até US$ 1 milhão cada uma. Ou seja, uma modesta contribuição para o superavit da balança comercial, fechado em US$ 47 bilhões.

As exportações caíram mais de 3% entre 2015 e 2016, por retração das grandes, enquanto microempresas venderam 14,7% a mais, e as pequenas, 10%. “As pequenas empresas evidenciaram um certo dinamismo para resistir às situações negativas que passamos nos últimos três anos”, comenta Jaguaribe.

Ele critica o chamado efeito sanfona, que leva muitas empresas na direção da exportação quando a economia interna está “apertada”, mas, quando há recuperação, abandona-se todo o esquema pelas facilidades do mercado interno. “Isso, infelizmente, tem um custo, em termos de credibilidade” do exportador e do país lá fora. Daí, a preocupação da ApexBrasil em criar estratégias que alterem esse quadro e incentivar a persistência, em especial das exportadoras de pequeno porte.

Sem milagre


O presidente da agência chama a atenção, ainda, para processos fundamentais, como pesquisas de nichos de mercado e apresentação da mercadoria. “Não adianta esperar milagre da promoção comercial. O processo de exportação e de participação do produto no mercado externo começa na produção. Se o produto não é competitivo, não vai ter milagre que resolva o problema.”

Segundo ele, o custo Brasil, que incide para todas as empresas, é mais difícil de ser superado pelas pequenas. Em especial a questão da logística. Também são relevantes os custos tributários, de acesso ao crédito, da burocracia e da infraestrutura, entre outros.

Para Jaguaribe, o governo está focado em retirar impedimentos para permitir maior atração de investimentos estrangeiros, tarefa sob a coordenação da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

E-commerce


Jaguaribe ressalta também o Programa de Internacionalização de Empresas (Piex), desenvolvido pela ApexBrasil, em parceria com o Sebrae, que já tem cerca de 3 mil empresas em atendimento. Entre elas, ao menos 400 se transformaram em exportadoras, registrando movimento financeiro de aproximadamente US$ 130 milhões. O Piex tem 39 núcleos em atividade e abrange 1.400 municípios. “Nossa intenção é ter, pelo menos, uma unidade do programa em cada estado, em benefício de micro e pequenas empresas”, explica.

Na opinião do presidente da ApexBrasil, um dos instrumentos mais importantes para facilitar a expansão do empresariado de pequeno porte no mercado internacional é o comércio eletrônico. A movimentação mundial deste tipo de negócio saltou de US$ 650 bilhões para US$ 2 trilhões nos últimos quatro anos, com potencial de triplicar nas próximas décadas.

De olho nesse mercado gigantesco, a agência lançou o E-xport Brasil. O programa mira, de início, quatro grandes mercados virtuais: China, Estados Unidos, Argentina e México. E tem três frentes: parcerias com as plataformas virtuais (marketplaces) mais conhecidas mundialmente; valorização das plataformas brasileiras, muitas das quais já na mira de compradores internacionais; e trabalho de capacitação para o e-commerce, com campanhas, missões no exterior e ações que motivem os empresários.




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