Exportações podem ser ampliadas se houver uma política de governo mais bem estruturada

A China é o maior destino das exportações brasileiras e um importante parceiro comercial que não pode ser desprezado, na avaliação de Lia Valls

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postado em 28/11/2017 06:00 / atualizado em 27/11/2017 21:44

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
A especialista em comércio exterior e professora da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio) Lia Valls é categórica ao afirmar que o Brasil precisa de uma política de governo mais estruturada para ampliar as exportações. Ela conta que, apesar de o país caminhar para registrar o maior saldo comercial da história, de US$ 68 bilhões, é necessário melhorar a qualidade da pauta, porque ainda é muito dependente de produtos básicos, com baixo valor agregado.

A China é o maior destino das exportações brasileiras e um importante parceiro comercial que não pode ser desprezado, na avaliação de Lia. “A China supera todas as exportações brasileiras para a América Latina. Supera as vendas para a União Europeia e é um mercado extremamente concentrado. O que mais exportamos para os chineses é soja em grão, petróleo bruto e minério de ferro”, afirma.

Desde o início dos anos 2000, recorda Lia, o Brasil ampliou o número de parceiros comerciais, mas não modificou os itens embarcados, o que reflete a falta de um plano estratégico de comércio exterior. Não à toa, o país não conseguiu aumentar a participação no comércio global que vem se mantendo há décadas em torno de 1%.  “A maioria das nossas exportações está na categoria de oportunidades perdidas. Isso ocorre porque, quando a demanda por um determinado produto no mercado internacional está crescendo, a exportação brasileira desse item está diminuindo”, ressalta.

Na avaliação da professora da FGV, o problema de o Brasil não conseguir decolar como uma potência exportadora é a falta de governança. “A política de comércio exterior envolve vários ministérios e instituições e, se não houver uma boa governança, com alguma autoridade coordenando todo o sistema, não haverá avanços”, pontua. A professora não poupa críticas à política de incentivos para poucos produtos e de barreiras comerciais que visam proteger a indústria local. Isso não contribui para ampliar a pauta do país e melhorar a competitividade. “A gente exporta o que produz, se a produtividade cai, a competitividade vai cair também”, resume.

Lia recorda que as pequenas e médias estão presentes em tudo que é plano de exportação, mas os programas de financiamento acabam não chegando a essas firmas, porque elas têm um peso muito pequeno na receita total. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem financiamento para o setor, mas o banco que faz a intermediação não se interessa em mostrar essa possibilidade porque falta articulação. Temos muito o que fazer e implementar para melhorar esse quadro”, afirma. Na avaliação da especialista, essas empresas podem contribuir de outras formas, como na conquista de novos mercados e na divulgação dos produtos nacionais.

Concentração

A pauta de exportação brasileira, ao ver da professora da FGV, é muito concentrada, e ela atribui isso à perda de competitividade da indústria nacional no cenário global. “O número de setores exportadores com vantagens comparativas diminuiu nos últimos anos, o único que cresceu foi o da indústria extrativa”, conta Lia, destacando que apenas 21% das empresas de indústria da transformação apresentam alguma vantagem comparativa. 

De acordo com a especialista, o recorde da balança previsto pela FGV é puxado efetivamente pelo setor de agropecuária e pelo setor extrativista, mostrando que o esse crescimento está ancorado em poucos produtos. No mês de outubro, as exportações da agropecuária registraram um salto de 150% em termos de quantidade e recuaram 8,2% em preço.


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