"Iniciativa do diálogo cabe a quem está no poder", diz professor da USP

Eugênio Bucci é um dos participantes do seminário Dialogar para Liderar, que ocorre no Correio Braziliense, nesta quarta-feira

postado em 24/02/2016 11:26 / atualizado em 24/02/2016 13:16

Breno Fortes/CB/D.A Press

 

Ao longo do debate Dialogar para Liderar, organizaro pelos Diários Associados em parceria com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), o mediador da mesa Caio Túlio Costa provocou os participantes a pensar como fariam para convencer a presidente Dilma Rousseff da necessidade do diálogo nesse momento pelo qual o país passa.

Para o jornalista Eugênio Bucci, professor da Universidade de São Paulo (USP), é necessário que o governo faça esse convite ao debate, para ouvir as opiniões de seus opositores. "A iniciativa do diálogo cabe a quem está no poder, e isso nós não estamos vendo" lamentou.

Bucci critica a comunicação do governo e lista a falta de debate como uma das razões da crise política. Para ele, o diálogo foi tratado de forma "apressada" pelas autoridades. "Houve negligência do poder em relação ao diálogo. Não se trata apenas de ver o diálogo como caminho necessário para superação da crise política. Trata-se de um diagnóstico que talvez identifique a negligência como a origem dos impasses políticos que estamos vivendo", afirmou o professor.

O diretor de políticas públicas da empresa de transportes Uber, Daniel Mangabeira, fez uma comparação entre a ágora - um espaço de discussão grego - e as redes sociais, ressaltando diversidade de opiniões, rasas e aprofundadas. "Ainda que haja muito ruído, há muito sinal. As redes possibilitam que a gente, nesse exercício dialético, acabe evoluindo."

Pouco antes do debate, o ministro da comunicação Social, Edinho Silva, fez um paralelo entre o tema do seminário e atual momento do Brasil. "É importante entendermos a espiral do mundo lá fora, esta crise é causada por fatores externos, mas também pela gestão do país", disse. O ministro lembrou que, nas manifestações políticas internacionais e nacionais mais recentes, a principal demanda é a mudança dos modelos de representação. "O grande desafio do século é a construção de uma nova agenda que interaja com a sociedade, a diminuição do distanciamento entre representantes e representados, diminuir esse abismo."

O professor Adriano Machado Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP), que também participa da mesa de debates, fez uma genealogia do diálogo, explicando a origem da palavra e sua relação com a democracia. Ribeiro explica que o dialogo exige despersonalização dos que participam do debate. "As figuras têm que reconhecer o outro, se abrir ao universo da racionalidade argumentativa. Na democracia, a ideia de um debate e uma disputa, é o contrario daquilo que a gente espera do diálogo enquanto movimento argumentativo" segue o professor, mencionando Platão.

A partir das 13h30, Paulo Marinho, presidente do Conselho Deliberativo da Aberje; Eduardo Ariel, coordenador da ESPM Rio; e o advogado Rubens Naves discutirão sobre a comunicação e os desafios do presente. Na última roda de discussões do dia, às 16h, Renato Janine Ribeiro, professor titular da USP; Luiz Carlos Azedo, colunista do Correio; e Francisco Viana, diretor-presidente da Hermes Comunicação analisarão a situação nacional na mesa Brasil e Democracia — Novos paradigmas para o diálogo e a liderança.

Entre as 18h e as 18h30, o diretor-geral da Aberje, Hamilton dos Santos, fará o encerramento do evento.

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