diversão e arte

O POVO CONTRA MICHAEL JACKSON » Sucessivos escândalos na vida pessoal ofuscaram a marcante obra do astro

Mariana Ceratti

Publicação: 26/06/2009 09:43 Atualização: 26/06/2009 10:25

Michael Jackson morreu sem ter a oportunidade de se reerguer artisticamente depois de sucessivos escândalos na vida pessoal. Um ano antes do suposto recomeço — marcado para o próximo dia 13, data inicial de uma série de 50 apresentações em Londres —, o astro chocou o mundo mais uma vez ao aparecer em Las Vegas de pijama, máscara cirúrgica e em uma cadeira de rodas. Ali, o astro revelava-se definitivamente frágil e irreconhecível. O oposto daquele que, em 1983, em um teatro de Los Angeles, exibiu pela primeira vez o passo moonwalk (no qual deslizava para trás) e deixou a plateia fascinada.

A saúde e a aparência de Michael Jackson ganharam espaço nos jornais na época em que o cantor surgiu de cútis branca e nariz afilado na capa de Bad (1987), disco que teve recepção morna por parte da mídia. Criticado pelo novo visual, o astro nunca assumiu ter mudado de cor por vontade própria. Creditava a mudança radical ao vitiligo, doença que faz a pele perder a pigmentação. “Sou um negro americano e tenho orgulho da minha raça”, dizia. O nariz, por sua vez, deformou-se depois de sofrer incontáveis cirurgias plásticas. O astro ainda operou o queixo e os olhos. Nos últimos anos, também lhe foram atribuídas enfermidades no pulmão e câncer. O cantor jamais as confirmou.

Outro escândalo sobre o rei do pop surgiu durante a turnê do álbum Dangerous, em setembro de 1993. Acusado pela família do garoto Jordan Chandler, que tinha 13 anos na época, Michael Jackson se livrou do processo por abuso sexual fazendo um acordo financeiro cujas cifras nunca foram reveladas (especulava-se algo em torno de US$ 20 milhões). Mas nunca mais se livrou das denúncias de pedofilia. Em 2003, o documentário Living with Michael Jackson deu origem a mais um processo e a um julgamento. No vídeo, o cantor norte-americano admitia dividir a cama com crianças e surgia de mãos dadas com o adolescente Gavin Arvizo.

Numa reação à revolta provocada pelo filme, a polícia de Santa Bárbara (Califórnia) revistou em 18 de novembro de 2003 o rancho Neverland, onde Michael Jackson vivia com opulência, em busca de provas de abuso sexual. No julgamento, que se desenrolou no primeiro semestre de 2005, o ídolo foi absolvido de 10 acusações: entre elas, abusar sexualmente de Arvizo e de outros garotos e oferecer bebidas alcoólicas para facilitar os atos.

As denúncias de pedofilia fizeram mais do que manchar a imagem do cantor e ofuscar seu prestígio artístico: tornaram-no mais recluso a cada dia. E, aliadas ao comportamento gastador do astro, contribuíram para que ele perdesse milhões de dólares.

Para compensar empréstimos, baixas na venda de discos e todo o dinheiro pago em acordos e fianças, Michael Jackson foi aos poucos se desfazendo do patrimônio. Primeiro, em 1995, vendeu à Sony (por US$ 100 milhões) metade dos direitos autorais que detinha sobre as músicas dos Beatles. No ano passado, repassou a hipoteca de Neverland, avaliada em US$ 24,5 milhões, a uma grande empresa imobiliária. E em abril deste ano, anunciou-se um leilão de objetos pessoais do ídolo. Mas o cantor resolveu cancelar a operação alegando que os itens haviam sido retirados de Neverland sem sua permissão.

Michael Jackson deixa três filhos: Michael Joseph Jackson Jr. (nascido em 1997), Paris Michael Katherine Jackson (1998) e Prince Michael Jackson II. Esse último, nascido em data desconhecida e de mãe anônima, protagonizou com o pai outra cena chocante. Na sacada de um hotel em Berlim, o astro pop sacudiu o bebê, cujo rosto estava coberto com um pano. O cantor tinha a guarda das três crianças.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história efaça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.