Cerveja, a bebida mais popular do mundo torna-se item de degustação

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postado em 01/08/2009 08:30 / atualizado em 01/08/2009 01:01

Tatiana Sabadini

Neste exato momento, em qualquer lugar do mundo, alguém deve estar sentado em uma mesa de bar com os amigos, tomando uma cerveja. A bebida é a favorita de brasileiros, alemães, irlandeses, americanos, belgas, tchecos, mexicanos e até japoneses. Nos últimos anos, ela saiu dos balcões do boteco e se transformou em um item gourmet. São 81 estilos com sabores, aromas e modos de fermentação diferentes. É possível degustar cervejas importadas, com anos de história e tradição, artesanais e até feitas em casa. Cervejeiros de plantão preparem-se para percorrer uma deliciosa jornada cheia de malte.

No Brasil, o estilo mais comum encontrado nos bares e botecos é a pilsen (leia no quadro abaixo). Uma cerveja leve e refrescante, ideal para climas tropicais, feita com malte lager. No entanto, as possibilidades para aqueles que querem se aventurar por sabores diferentes da bebida são infinitas. “O apreciador tem diversos roteiros de degustação. Ele pode tentar experimentar cervejas mais amargas, com outro teor alcoólico, outra cor, ou aroma. Eu aconselho as de trigo, conhecidas como Weiss, da tipo Ale (leia no quadro), ou a típica da Irlanda chamada Guiness”, diz Ronaldo Morado, autor do livro Larousse da cerveja (Ed. Larousse do Brasil).

Para o especialista, não existe uma cerveja melhor do que a outra, tudo depende do paladar de cada um. Quem quer aprender a degustar a bebida, deve seguir algumas regras básicas. O primeiro passo é prestar atenção ao aroma, depois tentar identificar os sabores oferecidos. “É preciso perceber como a cerveja atiça seus sentidos, seja no visual, na refrescância, na espuma. Ela tem uma variedade de sabor muito maior que o vinho, passa pelo cítrico, amargo, frutado, até o chocolate, café e cravo. Isso está pouco explorado”, comenta Morado.

Quem vai ao bar Godofredo, na Asa Norte, pode notar a variedade de sabores presentes no cardápio, com 50 tipos de cerveja. São importadas e artesanais, e 60% delas são brasileiras, inclusive com uma fórmula exclusiva. O proprietário Aylton Tristão criou uma receita inovadora, feita com pó de guaraná, chamada de Pecado. “É quase um energético, a pessoa não fica com aquela sonolência comum quando bebe”, afirma. Outra boa notícia: as cervejas artesanais não causam ressaca, porque elas não têm aditivos químicos, que as industriais têm.

Diversidade
Cerveja de chocolate, de café ou de trigo, é só escolher. O bar também vende produtos clássicos como a marca mais antiga do mundo, a alemã Weihenstephan, de 1040. Cada bebida tem uma história por trás, contada pelos garçons do local. Como a Paulaner Salvator, feita por padres depois da proibição de tomar vinho durante a quaresma. Para o público não cansar das opções, ele traz novidades a cada mês. “Temos cervejas australianas, itens mais exclusivos. Já trouxe até uma da Grécia para o pessoal degustar”, diz. A melhor cerveja na opinião de Aylton? “A Trappist Beer, feita por padres belgas do mosteiro trapista, só existem sete cervejarias que produzem esse tipo de bebida.”

Outro lugar onde é possível degustar cervejas gourmet é O’rilley. Um verdadeiro pub inglês com direito aos famosos pints, copos tradicionais de 568ml usados para servir chope. Os quadros pendurados na parede, com propagandas de cervejas importadas, são quase uma prévia do cardápio diversificado. Tem alemãs, irlandesas, belgas, brasileiras e raras, como a Deus Brut Des Flanders, cerveja produzida na Bélgica e levada para a França, onde passa por um processo de champenoise. “Tentamos manter a tradição irlandesa aqui. São bebidas para serem apreciadas, servidas em copos especiais”, explica Frank Dilamarde, chopeiro da casa. As preferidas dos frequentadores são as de trigo e a tradicional Guiness.

O brasileiro consome em média 47,6 litros/ano de cerveja por habitante, segundo dados apresentados pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja. Os campeões no consumo são os tchecos, com 158 litros/ano por pessoa, seguidos pelos alemães, 117,7l, e os britânicos, com 101, 5l. No mercado, o Brasil consome 10,3 bilhões de litros de cerveja, só perde para a China com 35 bilhões de litros/ano, Estados Unidos com 23,6 bilhões de litros/ano e Alemanha com 10,7 bilhões de litros/ano. “Temos um movimento nacional muito empreendedor. As microcervejarias são um fenômeno, por serem menos compromissadas com as regras de marketing e mais preocupadas com a qualidade”, afirma o autor.

Outro movimento, também começa a ser disseminado entre os brasileiros, e dos cervejeiros caseiros: apreciadores da bebida que resolvem fabricá-la em casa. O próprio Morado já foi juiz em diversos concursos que elegem a melhor cerveja caseira. Wesley Badona Bravo, 39 anos, faz parte desse grupo. O contador, que vive em Anápolis (GO), começou a se interessar pelo processo de fabricação da bebida quando trabalhava para uma grande indústria do ramo. Aprendeu passo a passo como era a produção, pesquisou na internet e descobriu que era possível fazer a própria cerveja. No fim de 2006, comprou panelas enormes e caldeirões de 127l e a matéria-prima de uma empresa especializada no sul do país para montar uma verdadeira cervejaria dentro da cozinha.

“Na primeira tentativa, errei a fórmula. A cerveja ficou muito cremosa e com pouco álcool, era para ter 6% e ficou com 3%. Precisei entender o erro para repetir de novo, porque ela ficou deliciosa”, conta Wesley. A bebida feita pelo contador é do tipo oatmeal stout, com um toque de aveia para o líquido ficar mais cremoso e com mais espuma. Uma vez por mês, Wesley fabrica a própria cerveja e tenta inovar com receitas diferentes. A última foi uma brown ale, com chocolate e raspas de laranja. Os amigos aprovam as invenções e até a sogra de Wesley ajuda na hora do preparo. “Quando eu faço cerveja lá em casa é uma festa. Você pode imitar as receitas de bebidas caríssimas, algumas que nem podem ser encontradas no Brasil”, diz.

» Onde encontrar

O’ Rilley
São quase 40 tipos de cerveja, entre elas as tradicionais alemã, belga e irlandesa. Tem chope Guiness servido no tradicional pint.
Endereço: 409 Sul, Bloco C, Loja 36

2° Clichê
O bar é famoso pela variedade de cachaças, mas a bebida começa a dividir espaço no cardápio com cervejas artesanais.
Endereço: 107 Norte, Bloco C, Loja 57

Stadt Bier
A cerveja de fabricação local virou tradição entre o público brasiliense. Tem seis versões de chope, inclusive uma versão feita de uva.
Endereço: Setor de Indústrias Gráficas Qd. 6, Lote 2190

Brilho Importados
Tem cervejas de diversos países, a maioria belga e alemão. A Brilho colocou mesas e cadeiras em frente à loja para os clientes degustarem as bebidas em um ambiente descontraído.
Endereço: Gilberto Salomão QI 05, Bloco E, Loja 33/34

Godofredo
Além da cerveja própria feita com guaraná, a casa tem um ambiente descontraído perfeito para degustar os mais de 50 tipos de cerveja do cardápio.
Endereço: 408 Norte, Bloco B, Loja 16

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