"Ih, boa pergunta. Não pensei nisso ainda." A questão era simples: como a pessoa interessada pode adquirir A aurora do deicida, estreia de Pedrinho Grana & Os Trocados, lançado recentemente. A resposta desorientada do lÃder é sintomática. A banda com pinta de supergrupo da cena independente de BrasÃlia se somou praticamente por acaso. E por mais que tenha cifras monetárias no nome parece não se importar muito com o barulho da caixa registradora.
A aurora do deicida será vendido por meros R$ 5. A reportagem dá a dica para Pedrinho manter o mÃnimo de capital giratório fora da rotina dos palcos: o ouvinte pode entrar em contato pelo e-mail que está no encarte do disco, pedrinhograna@gmail.com. "Vou distribuir do jeito que dá, nos shows, tentar um esquema, não sei", diz. A despretensão transparece em todos os cantos do projeto. Por que o tÃtulo A aurora do deicida? "Pra ser bem honesto, nem sei", confessa, tÃmido.
Já a alcunha Pedrinho Grana guarda história disparada como um tiro: "É a tradução literal de Johnny Cash". Minutos após o final da entrevista, ele retorna a ligação. Quer deixar claro: "Hoje, a minha maior influência é Gram Parsons." A frase explica a homenagem ao Ãdolo numa das melhores do disco, Joaninha, versão para ,Juanita, parceria de Parsons com Chris Hillman.
Com 13 faixas, A aurora do deicida traz mais uma versão: That%u2019s all it took, de Gene Pitney, transformou-se em É só escutar. As músicas brotaram de Pedrinho ao longo de 10 anos. Guitarrista do Gramofocas, ele não encontrava espaço no punk da banda para a corrente country que ganhava corpo. Pedrinho Grana nasceu em um registro simples de voz e violão no computador em março do ano passado.
Sem grandes pretensões, Pedrinho resolveu amarrar melhor as canções com o auxÃlio do estúdio caseiro de Gustavo Bill, da banda Hello Crazy People. Chamou o amigo André Vasquez, do Sapatos Bicolores, para colaborar com "alguns slides". "Ele disse: 'Essas músicas estão muito boas. Vou arrumar uma banda pra você'", conta Pedrinho. André sacou Os Trocados da cena independente. Puxou Nandico, do Fuzzies, e Guigo, do The Pro.
O disco ficou pronto em junho e traz a assinatura de André na produção. "São músicas que falam sobre relacionamento com garotas", descreve Pedrinho, 28 anos. "Há um certo misticismo. Várias referências a Raul Seixas também." Duas são frutos de uma parceria recorrente com o amigo Lino Maury: Alguém na minha vida e Mas que gata louca!
Pedrinho afasta a possibilidade de comparações com a banda carioca Matanza, que já prestou tributo ao Ãdolo Johnny Cash. "Nunca escutei muito. E eles são muito hardcore", aponta.
Ouça MalefÃcio fantasma, com Pedrinho Grana & Os Trocados
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