diversão e arte

ADIAMENTO » A incerta sina da Feira do Livro

Lúcio Flávio

Publicação: 16/10/2009 09:32 Atualização: 16/10/2009 09:38

Reunião entre representantes dos livreiros e da Secretaria de Cultura:conversas e desconversas (Carlos Moura/CB/D.A Press )
Reunião entre representantes dos livreiros e da Secretaria de Cultura:conversas e desconversas
O boato de que a 28ª edição da Feira do Livro correria o risco de não acontecer este ano deixou em polvorosa os artistas da cidade, sobretudo os escritores. O assunto veio à baila na última quarta-feira, durante um debate sobre a importância dos livros para o país, realizado na calçada em frente ao Açougue Cultural T-Bone, na 312 Norte. Preocupados com a situação, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, e o secretário adjunto, Beto Sales, reuniram-se ontem com os principais representantes da Câmara do Livro, entidade responsável pelo funcionamento do evento literário. O Correio teve acesso exclusivo ao encontro, que contou ainda com a participação do presidente da Câmara do Livro, Adrian Carvalho, entre outros.

“Isso não pode acontecer, é um processo degradante, são vinte e tantos anos de história”, disse, indignado, o livreiro Ivan da Presença. Dono de um quiosque de livros no Conic, Presença, que já presidiu a Câmara do Livro, cobrou mais empenho do governo. “Já sentei várias vezes a essa mesa para discutir os rumos da Feira do Livro e todo ano enfrentamos problemas para realizar o evento”, lamenta.

Beto Sales afirmou que a parte do GDF já foi cumprida, com a liberação, dentro do projeto de comemoração dos 50 anos de Brasília, de R$ 700 mil, como informou a reportagem do Correio, na última terça-feira. “É um ano atípico na cultura por conta da crise financeira, vários eventos, como a Feira do Livro, tiveram dificuldades em fechar o orçamento”, observou.

Beto Sales garantiu ainda que a secretaria de Educação do Distrito Federal mantém o apoio ao evento, com a disponibilização de verba para o projeto Ler é Legal, iniciativa que consiste em oferecer bônus financeiros às escolas públicas de ensino fundamental e médio para a compra de livros. O restante da contrapartida, segundo ele, seria responsabilidade da Câmara do Livro, a partir de processo de captação junto ao o setor privado. O que não aconteceu.

O presidente da Câmara do Livro, Adrian Carvalho, admitiu ter encontrado dificuldades para levantar o restante da verba. “Só com R$ 700 mil não dá para fazer a Feira do Livro. O valor ideal seria de uns R$ 3 milhões e, assim mesmo, para um evento pequeno”, explicou.

Comitê
Silvestre Gorgulho descartou o cancelamento do evento e agilizou a criação de um comitê formado pelo chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, pela subsecretária adjunta de Educação, Eunice Santos, e Beto Sales, para resolver o impasse. Disse ainda que pediria ajuda ao governador José Roberto Arruda. “Vamos falar com os patrocinadores”, garantiu. “Não existe isso de a Feira do Livro não acontecer, porque prejudicaria a população, os livreiros, os estudantes, os escritores, todo mundo. A Feira acontece nem que seja na minha casa”, emendou Gorgulho.

Há grandes chances do encontro literário não acontecer mais em frente ao Museu da República, como vinha informando a Secretaria de Cultura nos últimos meses. Ontem, durante a reunião com membros da Câmara do Livro, vários locais foram sugeridos, mas nenhum definido. Há possibilidade, inclusive, de o evento se realizar no Pátio Brasil, mesmo espaço das últimas edições. Uma nova data também foi pensada, provavelmente para o início do mês de novembro, antes do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Esta matéria tem: (7) comentários

Autor: Gabriel FC
O que falta para essa feira acontecer é gente competete - e quem sabe gente honesta - para gerenciar o evento. Onde já se viu não conseguir viabilizar esse evento com 700 mil? Quem conhece o ramo sabe que é possível. | Denuncie |

Autor: Cesar Tibau
É por estas e por outras que não vou dar meu voto para que ninguém que esteja se reelegendo! | Denuncie |

Autor: Cesar Tibau
Peraí... Como assim "não tem dinheiro" para a Feira do Livro? Que raio de estado é este que estamos construindo onde leitura não é valorizada? Conseguimos pagar uma fortuna para que artistas renomados nacionalmente toquem em Brasília (em detritemento dos da casa), e não vamos bancar a Feira do Livro? | Denuncie |

Autor: suzana vieira
ACREDITO QUE J.A NÃO ACEITA CONCORRENTES...PINÓQUIO,MAQUIAVEL,TODOS OS DOMÍNIOS SÃO DELE.SR GOVERNADOR,TENHA MAIS ORGULHO DA POPULAÇAO QUE O ELEGEU,QUE SEGUNDO ESTE JORNAL ,É A PARCELA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA QUE MAIS Lê.A FEIRA DO LIVRO DEVE ACONTECER.SUZANA MENDES MACHADO VIEIRA | Denuncie |

Autor: suzana vieira
NO DISTRITO FEDERAL HÁ UM PREDOMÍNIO DA LETRA J...JK,JR,E AGORA JA.ENQUANTO O PRIMEIRO CONSTRUIU,O SEGUNDO AMPLIOU E VALORIZOU O TRABALHO DO PRIMEIRO.O TERCEIRO IGNORA A HISTÓRIA E DESTRÓI..SAÚDE,EDUCAÇÃO,SEGURANÇA,IMPRENSA,E A FEIRA DO LIVRO DE EMBRULHO.É ASFALTO QUESE VAI,SISTEMA DE CAPTAÇÃO D ÁGU. | Denuncie |

Autor: luiz motta
A Feira do Livro já é uma tradição em Brasília. Eu acho que ela tem que ser até mais valorizada com um espaço mais adequado e definitivo. Pelo amor de Deus, gente Educaçao e cultura são fundamentais. Que se abram os cofres do geverno.... | Denuncie |

Autor: Najla Melo
Uma pena essa situação. E pensar que a Feira do Livro de Brasília tinha melhorado a ponto de trazer autores internacionais como o Jostein Garden autor do livro O Mundo de Sofia e o Alberto Manguel, além de nomes de peso da literatura brasileira. Quem poderá salvar a feira do livro? | Denuncie |

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