Toda vez que Hermeto Pascoal vem a Brasília é um acontecimento. Para muitos, é inesquecível o show que o “bruxo do som” fez na década de 1980, no Teatro da Escola Parque, quando ao término foi seguido por um séquito de admiradores até a Praça 21 de Abril, onde a festa continuou em toda a madrugada, para o desespero da vizinhança. Algo semelhante ele já proporcionou em outros locais onde se apresentou na cidade.
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| O "bruxo" usa uma escaleta para seduzir o público |
Na última quarta-feira, ao estrear no Clube do Choro, pelo projeto Dorival para Sempre Caymmi, teve o jogo ganho antes mesmo de começar. No vestiário (ou melhor, no camarim) a muvuca já era grande, muitos fãs queriam se aproximar do mestre. Generoso e solícito, atendia a todos, sem perder de vista os jovens músicos do Cai Dentro, que afinavam os instrumentos. Sempre sob o olhar atento da mulher, musa e cantora Aline Morena.
Com a conhecida e arrebatadora simpatia, inicialmente sentou-se numa mesa para ouvir — e aplaudir — Henrique Neto (violão sete cordas), Rafael dos Anjos (violão seis cordas) e Márcio Marinho (cavaquinho), que abriram a programação, acompanhados pelo contrabaixista Hamilton Pinheiro. Aplaudido calorosamente ao entrar em cena, o genial albino logo mostrou ao que veio.
Tocando violão, viola caipira, piano, escaleta, tirando som de um berrante e de uma chaleira e regendo a plateia em vocalise sugerido por ele, exibiu todo o seu talento e a capacidade de improvisação em músicas conhecidas e em outras — certamente inventadas na hora. Fez mais: abriu espaço para solos do safonista Ademir Jr., de Aline (na homenagem a Caymmi, com
Marina Morena), dos talentosos instrumentistas do Cai Dentro e do filho Fábio Pascoal, percussionista de sua banda. Como estava num local em que o choro é que dá o tom, instituiu, na hora, um moderno regional para tocar um dos grandes clássicos do gênero,
Tico tico no fubá,
de Zequinha de Abreu. Ah, sim, hoje Hermeto e sua trupe fazem o último show, mas os ingressos estão esgotados.
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