diversão e arte

CCBB abre a mostra Testamento Kieslowski - O Decálogo versus a Trilogia das Cores

Cristiano Torres

Publicação: 09/02/2010 08:30 Atualização:

Dois anos antes da morte, o cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996) explicou o trabalho dele a partir de plano de detalhe em que a mão da personagem central do filme A liberdade é azul, interpretada pela atriz francesa Juliette Binoche, embebe lentamente pequeno torrão de açúcar em xícara de café. Disse ele: "Foi simplesmente para tentar mostrar o mundo da personagem do ponto de vista dela, que ela olha as pequenas coisas. Concentrei-me nesse pormenor para explicitar que Julie não se preocupa com o resto, que tenta restringir seu mundo, fechá-lo sobre si mesma e sobre o ambiente que a cerca".

iNão matarás/i é um dos capítulos da série iDecálogo/i: histórias cotidianas (Divulgacao/Film Polski )
Não matarás é um dos capítulos da série Decálogo: histórias cotidianas
A atenção com o elemento particular e a recusa de um mundo externo, o olhar sobre aquilo que é essencial e a busca de um sentido para essa solidão formam o núcleo das preocupações do artista, cuja obra - ou ao menos parte preciosa dela - pode ser vista, de hoje até 28 de fevereiro, na mostra Testamento Kieslowski - O Decálogo versus a Trilogia das Cores, no Centro Cultural do Banco do Brasil. Série produzida para a TV polonesa Telewizja Polska (TVP), Decálogo é apresentada em versão restaurada, com os filmes A liberdade é azul (1993), A igualdade é branca e A fraternidade é vermelha (1994).

A série Decálogo é composta por médias-metragens, produzidos em 1988 (com cerca de 55 minutos), em adaptações livres dos 10 mandamentos do Antigo Testamento, que abordam os fundamentos morais e éticos da cristandade com histórias cotidianas e contemporâneas. Duas das narrativas foram levadas ao cinema no mesmo ano: Não amarás e Não matarás. Já a Trilogia das cores retrata - por meio dos ideais da Revolução Francesa, que na época das produções há pouco completara o bicentenário - o fim das grandes utopias e uma União Europeia que vivia ainda a angústia e a expectativa do nascimento recente. Completa a mostra o documentário inédito sobre o diretor polonês Ainda Vivo, de 2006, dirigido por Maria Zmarz-Kocznowicz.

TESTAMENTO KIESLOWSKI
Hoje, às 19h (Decálogo 1) e às 20h (Ainda vivo), no Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Tc. 2, Lt. 22; 3310-7087). Entrada franca. Acompanhe a programação diária no Divirta-se. Até 28 de fevereiro.

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