diversão e arte

Exposição » Mostra apresenta a produção de cartazes de divulgação cinematográfica realizada por artistas cubanos

Publicação: 09/03/2010 12:53 Atualização:

Cartaz de Cara a cara, de Bressane (Bachs/Caixa Cultural/Reprodução )
Cartaz de Cara a cara, de Bressane
Uma das primeiras ações de Fidel Castro, com o sucesso da revolução cubana de 1959, foi investir no fortalecimento da cultura nacional. No cinema, a criação do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) estabeleceu parâmetros para a produção de filmes cubanos e distribuição de películas estrangeiras na ilha, além de ter iniciado uma tradição no design de cartazes, à maneira de outros países socialistas da época, como Polônia e Hungria. A visão muito particular de Cuba sobre o cinema estrangeiro pode ser conhecida gratuitamente na exposição Cartazes cubanos: um olhar sobre o cinema mundial, instalada na Galeria Vitrine da Caixa Cultural até 11 de abril. "O instituto abriu o espectro de exibição e o público passou a ter à disposição filmes do mundo todo, além de criar uma tradição do desenho nacional de cartazes", conta a cubana Sara Vega, pesquisadora do Icaic.

A mostra apresenta 80 trabalhos produzidos entre os anos 1960 e o início dos anos 1990, e percorre a obra de 12 designers. Cartazes de clássicos do cinema mundial, como O encouraçado Potemkin, do russo Sergei Eisenstein, e Beijos proibidos, do francês François Truffaut, dividem espaço com os brasileiros Antônio das mortes, de Glauber Rocha, e Cara a cara, de Júlio Bressane.

Os pôsteres são assinados e têm as mesmas dimensões (76,5 cm x 51 cm). A tiragem de cada exemplar é limitada, não ultrapassa 500 unidades, e os trabalhos são impressos em serigrafia, a partir das matrizes originais, com 8 a 10 cores. Para Alexandre Guedes, curador da exposição, a qualidade das obras confere aos cartazes o status de obras de arte. "A galeria atrai o espectador mesmo sem o filme. No passado, cumpria função promocional e alcançou, hoje, função artística", analisa.

O designer cubano René Azcuy, autor das peças gráficas de Potemkin e Beijos proibidos, valoriza a importância do compartilhamento de informações sobre design com outros países, mesmo capitalistas. "O país não é fechado culturalmente. Há liberdade e nós tivemos influências de outros movimentos cartazistas, de alemães, franceses e suíços", observa ele, que mora há 15 anos no México.

CARTAZES CUBANOS
Um olhar sobre o cinema mundial. Até 11 de abril na Galeria Vitrine da Caixa Cultural (SBS, Qd. 4, Lt. 3/4, anexo do edifício matriz da Caixa). Visitação: de terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca. Informações: 3206-9448. Agendamento de visitas monitoradas: 3206-9450

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