Diversão e Arte

A doce presença de Wagner Tiso

Irlam Rocha Lima
postado em 09/06/2010 07:00
Músico autodidata, Wagner Tiso trafega com naturalidade entre o popular e o erudito. Ex-integrante do lendário grupo Som Imaginário, que acompanhou Milton Nascimento no começo da carreira, nos últimos anos tem desenvolvido elogiada parceria com a conjunto de câmara Rio Cello Ensemble e com a Orquestra Petrobras Sinfônica.

Há três anos, Tiso lançou, pela Universal Music, Da sanfona à sinfônica, uma caixa com quatro CDs, para comemorar 40 anos de atuação como arranjador. Nos álbuns Manto de estrelas, Na batuta do sucesso, Futuro do pretérito e Veredas ele reuniu 59 músicas interpretadas por cantores como Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Caetano veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento (o mais frequente), Maysa, Maria Bethânia, Gal Costa, Nana Caymmi, entre outros, para as quais criou arranjos.

Como pianista, Tiso se apresenta, também, com quartetos, trios e em duos. O parceiro de palco mais frequente é o violoncelista Márcio Mallard, integrante da Orquestra Sinfônica Brasileira e fundador do Rio Cello Ensemble. Os dois já estiveram juntos no palco do Clube do Choro, para onde estão de volta nesta semana. De hoje a sexta-feira, às 21h, eles fazem show pelo projeto Brasília, 50 Anos ; Capital do Choro.

;Já estivemos no Clube do Choro participando de outros projetos e toda vez que somos convidados para retornar temos um prazer muito grande, por sabermos que vamos tocar numa das raras casas em que a música instrumental é colocada em primeiro plano. Desta vez faremos um show quase que totalmente voltado para o choro. De minha autoria, por exemplo, faremos Choro de mãe, Chorava e Aos velhos amigos;, conta Tiso.

Do repertório farão parte choros clássicos de mestres do gênero como Brasileirinho (Waldir Azevedo), Doce de coco (Jacob do Bandolim), Ingênuo, Lamento, Naquele tempo e Urubu malandro (Pixinguinha). ;Há, ainda, Meu amigo Radamés, de Tom Jobim, e a versão que escrevi para Bachiana n; 4 (Heitor Villa-Lobos;, adianta o pianista mineiro.

Um dos projetos de Tiso para o segundo semestre é a gravação de um disco com o registro de temas que compôs para trilhas sonoras de cinema, como as dos filmes de Sílvio Tendler (Jango), Walter Lima Jr. (A ostra e o vento), Norma Benguel (O Guarany). ;Fiz trilhas, também, para filmes de diretores portugueses e deles vou escolher temas para esse projeto;, anuncia.

Músico versátil
Tom Jobim, Caetano Veloso e Maria Bethânia são alguns dos nomes destacados da MPB que já contaram com o talento e a versatilidade de Márcio Malard em seus trabalhos. De formação clássica, o músico é recordista de permanência, como primeiro violoncelista de uma orquestra sinfônica, por 37 anos (na Orquestra Sinfônica Brasileira). Com o grupo, ele já tocou nas mais importantes salas de concerto da Europa, Estados Unidos e Canadá.

Com a World Phillarmonic e com o Quarteto Guanabara, Malard participou de turnês ao Japão. À frente da Rio Cello Esemble, tem realizados elogiados trabalhos, inclusive no exterior. Na companhia de Wagner Tiso, durante excursão pela Europa, o conjunto homenageou Tom Jobim, em apresentação no Queen Elizabeth Hall, em Londres. E também em Lisboa.

WAGNER TISO E MÁRCIO MALLARD
Show do pianista mineiro e do violoncelista carioca, de hoje a sexta-feira, às 21h, pelo projeto Brasília, 50 Anos ; Capital do Choro. No Clube do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.

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