diversão e arte

UM ANO SEM O REI DO POP » Acordo milionário entre herdeiros e indústria musical deve prolongar império do cantor

Tiago Faria

Publicação: 24/06/2010 07:20 Atualização: 24/06/2010 11:31


 (Ultimate Productions/Divulgação)
O boato contagiou a internet: Michael Jackson não morreu. O ídolo, cansado do showbusiness, assumiu a identidade de um antigo amigo, que teve o rosto desfigurado por queimaduras. A semelhança entre as vozes do criador e a criatura (apelidada de Dave Dave) era impressionante. Tanto que o tabloide britânico The Sun levou a suspeita a sério e publicou a notícia. Logo em seguida, no entanto, o advogado do “sósia”, Brian Oxman, desmentiu a fantasia e resumiu esses e outros casos fantasmagóricos. “Histórias como essa revelam o quanto ainda é forte o sofrimento de todos aqueles que amavam Michael”, concluiu.

O factoide, divulgado há apenas um mês, é apenas um entre tantos indícios de que o cantor ainda não aposentou o cetro. Até hoje Michael é capaz de alimentar a imaginação dos fãs e, principalmente, de assombrar a indústria musical. Desde a morte, segundo a Billboard, produziu US$ 1 bilhão em lucros. O artista que mais vendeu discos em 2009 — 31 milhões de unidades no mundo inteiro — entra em 2010 como a principal aposta da Sony Music Entertaniment. A gravadora assinou o contrato mais caro da história (US$ 250 milhões) para, até 2017, lançar uma série de discos póstumos com material inédito. As canções, ainda misteriosas, estão escondidas no baú (aparentemente, imenso) do músico.

 (AP Images/Spring Publicações/Reprodução)
A partir do segundo semestre, o luto não será silencioso: além dos lançamentos musicais, a companhia circense Cirque du Soleil iniciará uma turnê de US$ 200 milhões em homenagem ao inventor do “moonwalk”. Os acordos comerciais incluem um jogo de videogame, leilões de itens raros e tributos. Por enquanto, todos esses acertos são assinados cuidadosamente, sob a fiscalização discreta dos fãs e da imprensa americana. Os projetos que mordiscam o patrimônio de Michael só saem do papel com a aprovação dos empresários John Branca e John McClain, indicados pelo próprio músico como administradores de uma herança estimada em US$ 500 milhões. A maior parte dos lucros é destinada a um fundo familiar (a mãe, Katherine, e os três filhos são os beneficiados) e a organizações de caridade.

“O acordo com a Sony demonstra o poder duradouro da música de Michael, que excede todas as negociações semelhantes na indústria”, afirmou Branca. É de se esperar, portanto, um ano de intensa celebração da memória do cantor. Amanhã — quando se completa um ano de morte do pai de Thriller, o álbum de maior sucesso na história da música pop — súditos no mundo inteiro prometem vigília, que também deve se alastrar na web. Enquanto internautas acendem “velas virtuais” via Facebook, a empresa VoicePlate, em parceria com a fundação The Jackson Family, organiza uma luxuosa cerimônia chamada Forever Michael, sábado, com performances de astros da música no Beverly Hilton Hotel (Beverly Hills). No evento, a mãe de Michael vai lançar o livro Never can say goodbye, sobre o filho.






 (Arquivo CB/D.A Press)
A festa de gala será aberta ao público, com ingressos a US$ 250 e US$ 500 (área VIP). “A intenção é reunir parentes, celebridades, fãs e a comunidade para celebrar o legado de Michael”, informou representante da VoicePlate. De acordo com o Los Angeles Times, o público terá acesso limitado ao cemitério Forest Lawn, nos arredores Los Angeles — não poderão visitar o mausoléu do ídolo. No Brasil, a data é lembrada com especiais de tevê e shows, além da transmissão do documentário This is it na Globo (domingo, após o Fantástico) e na tevê a cabo.

Investigações
Apesar da atmosfera de saudade, os fãs e a família de Michael continuam a cobrar investigações mais apuradas sobre as circunstâncias da morte do ídolo, que, aos 50 anos, sofreu parada cardíaca na casa onde morava, em Holmby Hills, Los Angeles. Em fevereiro deste ano, a polícia divulgou um relatório de 51 páginas com o resultado da autópsia do corpo do cantor. O documento reforça a acusação de que Michael morreu por intoxicação de propofol, anestésico aplicado pelo médico particular Conrad Murray. O cardiologista explicou que o cantor estava viciado no remédio. Nas duas noites anteriores à morte, segundo ele, foram testadas outras combinações de medicamentos para combater a insônia.

 (Tobias Schwarz/Reuters/Spring Publicações/Reprodução)
Murray se entregou à polícia. Acusado pela Justiça de Los Angeles por “homicídio sem intenção”, foi libertado após pagamento de fiança no valor de US$ 75 mil. Mas, para a família, a decisão não soou satisfatória. Se for condenado pelo crime, cumprirá quatro anos de prisão. “Foi pouco. Queremos justiça”, protestou o irmão Jermaine Jackson. O pós-morte de Michael, ao que parece, ainda vai render casos tão controversos (e, possivelmente, surpreendentes) quanto aqueles que ajudaram a formar a imagem de uma lenda tão adorada quanto enigmática. Na cultura pop, Michael permanece no centro do palco.

 

 







O SUSPENSE CONTINUA…


Nas investigações sobre a morte de Michael Jackson, sobram mistérios:

             É fato

  • » A autópsia revelou que Jackson morreu por intoxicação de propofol. No corpo do músico, foi encontrada grande quantidade do anestésico, de uso cirúrgico, além de outros sedativos e estimulantes.

  • » O médico particular, Conrad Murray, admitiu ter receitado o anestésico para amenizar a insônia do cantor, que usava o remédio com frequência.

  • » Na Justiça de Los Angeles, o cardiologista foi acusado de “homicídio sem intenção”. Teria atuado “sem malícia, mas sem o devido cuidado.” Foi libertado após pagamento de fiança no valor de US$ 75 mil, sob protestos de fãs e da família Jackson.

  • » O Conselho de Medicina da Califórnia entrou com ação para impedir que Conrad exerça a medicina, mas o pedido foi negado pela Justiça.


    É mistério

  • » A participação do médico Conrad Murray na morte de Jackson ainda não foi totalmente esclarecida. A família do astro desconfia que o cardiologista não agiu de forma tão inocente quanto ele afirma.

  • » Para o pai do cantor, Joe Jackson, o cantor foi vítima de uma conspiração.

  • » A batalha pelo controle do espólio do músico segue em aberto. Os bens são administrados por John Branca e John McClain, indicados pelo próprio Jackson, a serviço de um fundo familiar. A mãe, Katherine, desistiu de brigar pelo gerenciamento do patrimônio. Mas o pai, Joe, ainda não.

  • » Os fãs ainda não sabem como será distribuído o material inédito deixado por Jackson. A Sony Music fez acordo para lançar novos discos, mas ninguém ainda sabe qual é o conteúdo desse baú.


O QUE VEM AÍ

Novos discos
» Em março, a Sony Music Entertainment entrou em acordo com os herdeiros de Michael e assinou um contrato de US$ 250 milhões para garantir a distribuição de discos do cantor até 2017. A gravadora planeja lançar 10 álbuns póstumos no decorrer da década.

Cirque du Soleil
» Um show da companhia circense em homenagem ao Rei do Pop será lançado no fim de 2011 e sairá em turnê. A programação ainda não foi definida. No ano seguinte, o espetáculo entrará na agenda de atrações fixas de Las Vegas, Nevada.

Videogame
» A Ubisoft anunciou um game que mistura dança e canto, com um mix dos principais momentos da carreira do cantor. Compatível com Xbox 360, Playstation 3, PSP, Nintendo Wii e Nintendo DS, Michael Jackson — The game terá sucessos como Beat it e Billie Jean. Será lançado no fim do ano.

Tributos
» Além da cerimônia oficial, marcada para amanhã no Beverly Hilton Hotel (em Beverly Hills), há informações de que Janet Jackson substituiria o irmão em uma turnê do Jackson 5. De acordo com o tabloide The Sun, Jermaine Jackson está organizando o encontro. O pai de Michael quer construir um museu em Gary, Indiana.

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